JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

Artistas

Publicado na edição 152 de Agosto de 2015

"A arte é um exercício experimental de  libertação". Mário Pedrosa (1901-1981)

"A arte é uma espécie de inutilidade  indispensável".  Cildo Meireles

Declaro aqui minha devoção imensa pelos artistas. Por todos  aqueles  que vivem  da  arte. Se entregam a  arte, consomem  e  produzem  arte. Depois de  sofrer  um  impacto e  choque  por  uma  idéia, se põem  a  trabalhar. Criam, concebem, ensaiam, treinam, montam, dirigem, adicionam música, iluminação e ainda sujeitam-se  a  acidez da critica e  a desconfiança  do  público.  Investem tudo o que  tem  em  projetos  e  acreditam e apostam na  força  de sua arte. Os artistas tem esse devotamento, não  esperando segurança  das  condições de  trabalho  para  atuar. Recebem  apenas   gratificação  simbólica  no  simples  fato  de  praticar  sua  arte,  aceitando sacrifícios por  vocação. A arte lhes vem da inspiração,  abnegação,  desamparo e turbulência. São pessoas que embarcadas na barca da esperança, trabalham pela  arca  da  aliança,  realizando  sem  reclamar e fazendo  coisas  mil,  sempre em  busca e no  garimpo da  beleza,  estabelecendo  uma  relação afetiva  com  o  que  criam,  tentando  inventar formatos e captar  a  atenção  de  seu  público.  Vêem longe, vislumbram o futuro que virá e o anunciam através de sua arte onde entre, ascensão e queda; lindeza  e  aversão; magnetismo e realidade; esforço e gratuidade; lucidez  e  loucura, humor e  melancolia, transitam. Tudo se cria, tudo se transforma e gera encanto, alegria, agradecimento, dádiva. Com sua (im)potência de  realização, percebendo o modo  selvagem  com  que  a  sociedade  se  transforma,  nos resgatam com profundidade  e humanidade do real, fazendo circular e oxigenar o belo, transportando-nos  à  fantasia, lugar mágico,  que  existe  pelo  esforço  deles e que, por  sua  luta,  relegam a  nós algo  absolutamente insubstituível para  sobreviver,  respirar, ir em frente. Ninguém os vence em vibração. São antenas aguçadas da sociedade com funções  oraculares.  Que  bom  que  existem.  Vida  longa  aos  artistas !  À vocês,  dedico, ofereço,  consagro.   

Antônio Laért
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