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Colunistas - Antônio Seixas

O extinto Museu Guia de Pacobaíba

Publicado na edição 152 de Agosto de 2015

No dia 30 de abril de 1854, a Imperial Companhia de Navegação à Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis, de Irineu Evangelista de Souza, futuro Barão de Mauá, inaugurava a 1.ª Estrada de Ferro do Brasil, num total de 14 km, entre o porto de Mauá e Fragoso.  Pouco depois, a linha seria estendida até Raiz da Serra (1856) e, finalmente, em 1883 até Petrópolis, já com a denominação de Companhia Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará.

Em 30 de abril de 1954, no ano de seu centenário, o trecho ferroviário de Mauá-Fragoso foi considerado Monumento Histórico Nacional, através do Decreto nº 35.447-A do então Presidente da República Getúlio Vargas, e tombado pela Secretaria de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), atual IPHAN.

Em 1957, o trecho tombado passou a fazer parte do patrimônio da Rede Ferroviária Federal S/A, e no dia 19 de novembro de 1962, teve o tráfego suspenso no percurso Mauá-Bongaba.

Em 23 de novembro de 1971, o jornal Correio da Manhã estampava a matéria: “Em Mauá nasceu nossa primeira estrada de ferro”. No artigo, após um breve histórico, o jornal propõe a criação de um museu ferroviário na estação de Guia de Pacobaíba, onde a locomotiva Baroneza, que estava no pátio ferroviário do Engenho de Dentro, e o carro do Imperador Dom Pedro II (guardado nas oficinas de Mariano Procópio, em Juiz de Fora), poderiam ficar expostos à visitação.

Em agosto de 1974, a estação de Guia de Pacobaíba e a casa do agente (datada de 1916) começam a ser restauradas pela RFFSA. Em 30 de setembro é instalado no local o Museu Guia de Pacobaíba, com a locomotiva n.º 51, construída em 1880, da Estrada de Ferro Leopoldina, representando a histórica Baroneza, já que esta, por ser tombada, não poderia ficar ao relento. A solenidade, presidida pelo General Milton Gonçalves (presidente da RFFSA), contou com a presença do Prefeito de Magé, Juberto de Miranda Telles.

O Museu Guia de Pacobaíba foi fechado em 1977, por motivo de falta de segurança e seu acervo levado para o pátio ferroviário de Engenho de Dentro, onde em 1984 foi criado o Museu do Trem.

Em 26 de junho de 2013, o IPHAN firmou um Termo de Cooperação Técnica com a Prefeitura de Magé que previa a instalação do Museu Ferroviário, na Estação de Guia de Pacobaíba. O termo venceu um ano depois, mas o museu não saiu do papel.

No dia 2 de agosto de 2014, o Secretário de Estado de Turismo Cláudio Magnavita visitou a histórica Estação de Guia de Pacobaíba e propôs a criação de um Memorial do Trem no local. Em 23 de agosto, Magnavita visitou o local mais uma vez, agora com o Ministro do Turismo Vinicius Lage.

O Memorial do Trem, na Estação de Guia de Pacobaíba, recebeu o incentivo e o apoio do Conselho Municipal de Política Cultural de Magé, por nós presidido, que buscou todos os meios para que o museu se tornasse realidade. Apesar da verba depositada na Caixa Econômica Federal o projeto não se concretizou por dois motivos: a Secretaria de Estado de Turismo (com o Secretário Nilo Sérgio Félix) perdeu o prazo para encaminhar os documentos exigidos pela CEF, ao mesmo tempo que o IPHAN não promoveu a cessão de uso da área para a Secretaria de Estado de Turismo.

Perdeu o Município de Magé a oportunidade de contar com um museu que preservasse a memória da 1.ª Estrada de Ferro brasileira.

Antônio Seixas
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