JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

Condenado ou absolvido

Publicado na edição 154 de Outubro de 2015

“As palavras são nossa porta para o mundo. Sopros frágeis de voz; sem elas  não  dizemos  coisas”.
Marcio Tavares D´Amaral

Nesse cantinho de página aqui do jornal, ocupo um espaço público. Só por isso, deveria escrever apenas sobre assuntos que interessassem aos outros, à sociedade, ao mundo em que vivo e pelos quais sou, como qualquer um, corresponsável. Não sei, em verdade, se tenho o direito de falar de assuntos particulares, como tenho feito. O tema tem me ocupado num exame de consciência sobre a questão. Qual é a desse sujeito, no caso eu, ficar dizendo o que acha certo ou errado na paisagem? O que pretende esse cronista que, empoleirado no pódio de opiniões, fica deitando regras. Afinal de contas, quem sou eu? Logo eu, que tento ser relevante, procurando salvar algo que nem sei bem o que é? Quem sou eu? Quem fala debaixo dessas duas letrinhas: o Eu? Logo eu que nem sei quem sou? Qual o Eu que fala por mim?   Parece que nessas crônicas, tem sido crônico o Eu em mim. Talvez por isso mesmo os leitores, não me lêem mais. Não se comunicam comigo. Tenham ficado inertes, insípidos, estacionados, sem movimento e retorno. As palavras do meu Eu profundo não os move mais. Não há apreciação, encantamento, maravilhamento, nada. Isso é triste. Talvez, um dia minhas ideias serão alguma coisa quando crescerem. Há um desconforto permanente em estar nessa posição incômoda e intelectualmente preguiçosa. Corto os pulsos? Me jogo do campanário? Desisto de escrever?  Não, vou continuar minha busca pela beleza - essa coisa subjetiva, original, transparente, difícil de definir, mas fácil de reconhecer -. Vou continuar minha peregrinação rumo à escrita perfeita, ao texto estimulante, a ideias   brilhantes e originais e a um estilo, para que, com um pouco mais de verniz, quem sabe, seja lido. Continuarei reunindo, cortando, guardando, anotando minhas coisas. Talvez entendam minhas mirabolâncias, acabem gostando dos momentos em que estou só em meus devaneios.  Até lá, vou treinando, criando, abrindo e fechando minhas pastas, elevando o pensamento para tornar-me rei, até que com a faísca de vontade que empodera o meu querer, construa um verso que excite toda multidão. 

Antônio Laért
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