JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Leandro Vidal

Magé tem água?

Publicado na edição 154 de Outubro de 2015

Conterrâneos e amigos leitores e internautas do Milênio Vip, tenho uma pergunta muito importante para vocês: Magé tem água? 

O primeiro pensamento que nos vem quando nos deparamos com um questionamento como esse, esta baseado no cenário que estamos passando em toda e região sudeste e não só no município de Magé. Nos últimos anos a falta de água tem se agravado mês a mês chegando nesse período que antecede o verão como a maior crise hídrica da historia, uma novidade que nos pegou de surpresa? Definitivamente não. 

A questão ambiental tem como base os mananciais e a utilização adequada dos recursos hídricos, em toda parte do planeta pelo menso há 20 anos ouvimos falar da seca do Nordeste, na África e em diversos pontos do Planeta, agora estamos vivenciando essa problemática ambiental em nossa região, e fato que quando se fala no município de Magé temos um histórico de pontos onde existe uma certa abundancia de água e pontos onde sempre existiu escassez e falta de água, podemos dividir nosso município em duas faixas tendo como base a BR116 (Rodovia Rio / Teresópolis) para diagnosticar sua oferta natural de água. E interessante a disposição geográfica do município de Magé com relação ao continente sul-americano, a região setentrional do Brasil o oceano atlântico e a Bahia de Guanabara, nosso município fica bem no centro de tudo, e logisticamente também atende o estado por diversas formas de ligação, mais isso foi só uma curiosidade que queria compartilhar com vocês e podemos deixar para uma próxima ocasião, a verdade e que a face norte do município que fica da BR116 em direção a cadeia montanhosa da Serra dos órgãos e Serra do Mar passando por lugares como Jororó, St. Aleixo, Vila Inca, Rio do Ouro, Pau Grande e Raiz da Serra, por exemplo, sempre teve uma oferta de água devido ao grande numero e variedades de lençóis aqüíferos, e alguns reservatórios que estão em dificuldades, mais de certa forma tem atendido a população. Já na face Sul do Município de Magé que pega a faixa entre a BR116 e a Bahia de Guanabara sempre sofreu com falda d água e falta qualidade de água devido a sua cota ser bem próxima ao nível do mar e sofrer influencia de lençóis ferruginosos, salubres e contaminados, com o agravante do sistema de abastecimento que não acompanhou o crescimento do município de forma geral. E importante ressaltar que não tenho o objetivo de responsabilizar míngüem pelo momento que estamos passando, e sim trazer esclarecimentos sobre o nosso município.

Atualmente o Município de Magé conta com um contrato de concessão com a CEDAE para abastecimento de água e tratamento de esgoto, os reservatórios públicos municipais, que teoricamente deveriam esta sendo gerenciado por essa concessão são os de Andorinhas – Pau a Pique; Sto. Aleixo – Rio pedras Negras, Rio do Ouro – Cachoeira Grande, Pau Grande e Piabeta, todos com volume de água consideráveis para a operação de armazenamento, tratamento e distribuição de água para a população Mageense. Tivemos a oportunidade de observar durante a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico municipal que existem muitos problemas que envolvem essa questão, como o tratamento de esgoto e efluentes industriais necessitaria de um capitulo próprio ate mesmo para um texto simples como esse, vamos focar somente na questão do abastecimento de água. 

Podemos observar que os mananciais do município que envolve Rios como o Roncador, Iriri, Surui, Inhomirim e seus afluentes, atualmente seriam de grande valia para o abastecimento da população Mageense, a curto prazo, se não fossem as dificuldades históricas de captação, tratamento e distribuição dessa água, que ainda conta com um agravante muito preocupante, a histórica relação da população com esses mananciais que os utilizam para carregamento de esgoto, lixo, fazem de suas faixas marginais de proteção uso para construções e muito das vezes construções publicas, industrias, comercio, desmatam as cabaceiras dos rios suas nascentes, usam historicamente as áreas de nascentes para os mais diversos fins diferentes da preservação. Existe um caso que tenho acompanhado ao longo das ultimas décadas, o da fonte do Buraco da Onça localizada no centro urbano de Piabeta, essa fonte já teve através de nossas ações em conjunto com uma ONG local Chamada Preservadores e Defensores da Fonte do Buraco da Onça que tivemos a oportunidade de criar a 10 anos, toda sua área reflorestada diversas vezes, e todos as vezes acontece o mesmo fenômeno as árvores pegam fogo, e um pouco estranho, isso causa não só o empobrecimento da fonte mais problemas como o escorregamento de barreiras que afetam a população, mais a fonte resiste, a natureza e resiliente basta respeitar. 

Problemas como vazamentos na rede de abastecimento, inexistência de estações de capitação e tratamento de água e falta de sistema de distribuição são os que mais impedem que a água chegue às nossas casas. Estamos acompanha uma obra que foi resgatada no atual governo municipal que tem como objetivo captar água do Rio Roncador na Altura do Bairro de Jardim Esmeralda tratar e distribuir para a população Mageense, principalmente as residências da face sul do município como supracitado, que promete triplicar a oferta de água, temos ainda um recursos hídrico proveniente do reservatório do Paraíso em Guapimirim que tem seu sistema operante a mais de 100 anos e apesar da boa qualidade da água sofre com o desgaste, e a distribuição para outros municípios como São Gonçalo e Guapimirim. 

Em uma breve analise posso afirmar que diante da atual oferta de água e do novo sistema e abastecimento, levando em consideração o crescimento populacional do município, e sua necessidade de se desenvolver, através da instalação de parques industriais, empreendimentos, obras de grande vulto como as que têm afetado o ecossistema do município, melhoraria a oferta de água a curto prazo, isso para abastecimento humano, para as industrias seria necessário através do sistema de licenciamento ambiental a implementação de captações alternativas, reuso, aproveitamento de água , etc.

Estamos diante de um processo irreversível?  O fato e que estamos sem água em um dos municípios com maior quantidade de mananciais da região, é estranho pensar isso, por que, a falta de água quebra as barreiras sociais, tanto as mansões quantos as casas de pau a pique sem água são iguais, o que fazer? Ainda há tempo? Esta em nossas mãos? Não temos todas as respostas, mais e unânime dizer que sem água não existe vida. Não adianta chorar a água derramada, o que deixou ou foi feito para que tivéssemos reservas e água de qualidade hoje. Na ultima edição escrevi sobre o Canal de Magé, imaginem se ele fosse limpo hoje, o que nos faz pensar que ainda podemos deixar todos esses Rios que cortam o nosso município iguais ao Canal, ou podemos ver o quanto estamos poluindo o Rio Roncador e fazer diferente, falo isso porque quando todo o cidadão se olhar no espelho e pensar a água não esta chegando a culpa não e minha, mais o Canal de Magé e um nojo a culpa e minha. 

Ainda há tempo, a sociedade precisa se envolver nessa problemática, temos que enfrentar de forma eficiente, forçando a criação e cumprimento de Leis e fiscalização que estimulem a preservação de nossos mananciais, que incentivem o consumo consciente, evitem a poluição, obriguem os responsáveis a armazenar, tratar e distribuir mais água para a população com mais eficiência e menos desperdício, fiscalizar os investimentos públicos, e principalmente, fazer a nossa parte.

As coisas mais difíceis só conseguimos superar quando determinamos, rejeitamos o erro , e entregamos as dificuldades! Assim mudamos e o mundo muda conosco, no mais oremos ao Deus criador que mande chuva, muita chuva nesse lugar!                 

Leandro Vidal
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