JORNAL MILÊNIO VIP - É O JUÍZO FINAL?

Colunistas - Neuza Carion

É O JUÍZO FINAL?

Publicado na edição 155 de Novembro de 2015

O país está pegando fogo. De novo. Ou ainda...  Ao menos estava, até há bem pouco.  A imprensa em todas as suas formas e as redes sociais da internet estão em polvorosa com os atos e fatos políticos ou com repercussão política. E os que não se enquadram na categoria, recebem um enquadramento.

A oposição ao governo federal (seja de partidos políticos ou de indivíduos com filosofia política diversa) ataca - a palavra é esta – por todos os meios e todos os lados. Os governantes, seus seguidores e aliados, tentam (ou tentavam...) se defender como conseguem, já que os fatos não ajudam.

A população acompanha as informações, segue, divulga, compartilha. Manifestações populares pipocam e pululam: atos, passeatas, mensagens, postagens. Greves e manifestações contra o grande articulador das greves e manifestações de décadas passadas, uma total inversão de papéis... Vejo raros – raríssimos – movimentos de defesa. Talvez porque indefensável?

Nem o próprio partido se manifesta publicamente, e a base aliada vai subindo o muro... Os partidos de oposição buscam obter dividendos, conquistar o apoio popular. O principal deles, em sua tentativa de volta ao poder, trabalha com firmeza as idéias de deposição e impeachment. E o povo acompanha. Cartazes nas ruas, postagens e mensagens no Facebook, no WhatsApp, no Twitter.  Mesmo a grande parte da população que foi apoiadora por décadas, começa a questionar sua opção e a abandonar o barco...

Mas o que me chama a atenção é a adesão independente de ligação partidária: as manifestações, em qualquer nível e em sua maioria absoluta são organizadas por instituições, representantes de classe ou grupos de interesse comum, mas não se observa muito a divulgação do apoio de partidos - nem da oposição, nem da situação, nem de direita, nem de esquerda.  Afinal, a todo o momento surgem novos casos envolvendo outros partidos em corrupção e ilícitos.

Essa adesão livre, mais que a derrocada de um sistema, parece refletir a construção de uma  consciência que já vem se manifestando, lentamente, há algum tempo. E que pode ter - a longo prazo - consequências previsíveis. Em primeiro lugar, a decepção com as estruturas formais de representação política, pode diminuir a importância e o poder dos partidos e colocar em questão a necessidade de sua existência da maneira como são agora. Em segundo lugar, a divulgação e o debate dos mecanismos da administração pública, pode levar a população a estar preparada para não mais depender de representantes ou esperar que estes tomem a iniciativa de propor as medidas necessárias para o bom andamento da vida em sociedade, que é a razão de ser da política. E poder, com conhecimento de causa, cobrar a execução dessas medidas através de diversos meios: os de comunicação e os administrativos ou judiciais. 

Já escrevi sobre estas idéias (que não são minhas) inúmeras vezes. Não as encaro como verdades absolutas e irrefutáveis, mas como fortes probabilidades, baseadas em observação e raciocínio lógico (que não são meus). Inclusive a teoria de que todas as fases de um dado sistema têm que ser vivenciadas e esgotadas antes que se possa implantar outro. E quando se atinge este ponto de esgotamento... é o fim. E o recomeço.

Neuza Carion
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