JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

Um dia toparei comigo

Publicado na edição 156 de Dezembro de 2015

"Se é gostoso, faz logo. Amanhã  pode  ser ilegal”.
“Grande erro da natureza é a incompetência  não  doer”.
“A fotografia  é  a mentira  verdadeira”.
Millôr Fernandes (1923-2012)

Leio, anoto, recorto, guardo tantas coisas. Em alguns momentos, porém, tudo parece inútil. Quando, por exemplo, recebo,  da editora o  pedido  de  matéria  para  a  nova  edição do  jornal e  nada daquilo me auxilia. Instala-se então em  mim uma  angústia  sobre  o  que escrever. Não é nada fácil  escrever,  sem  cair  no  lugar  comum e  no  trivial.  A falta de  assunto acontece  com  freqüência. Não é todo dia  e hora,  com  efeito, que  temos  algo  pertinente a  dizer. Isso não é  coisa  para  qualquer um. Em meio a tantas notícias ruins, desalento,  decepção,  necessário  se  faz  reservar em  nós  um  lugar; aquele  reservatório vital  de onde  podemos  tirar  forças  para avançar   em  todas  as  direções em que  atuamos na  vida. Voltar o olhar para inspirar-se nas flores, no verde, nos pássaros, nas  montanhas, no mar. Reservar  tempo  para  as coisas  mais  simples  e   o mais  sublime. Ouvir a  canção,  a  sinfonia,  fazer    silêncio  para que a  beleza  desse  momento possa   reconciliar-nos com as agruras que nos  esperarão  na  volta. A natureza e as artes em  geral,  têm  esse  poder  de  mexer e  remexer  em  nosso  reservatório emocional  e  após  essa  experiência - de continuar  aqui  e  voar  para  longe -,  dão  poder para  avançar,  empoderar-nos.  A música  é  avassaladora  nesse sentido.  Experimente.  Tente.  Coloque sua faixa escolhida, deite, relaxe, ouça  e  faça  sua  viagem. Quando voltamos, estamos melhores, em verdade: o que estava opaco se clareia; o obtuso, se entremostra. Como gostaria  de  terminar em  alta esse  texto,  em  plena  crise  de  falta  de  assunto,  vou  me  permitir  valer-me de  Richard Wagner,  em  “Os Mestres  Cantores  de Nurenberg”,  onde  encontra-se a  mais  significativa  mensagem  que  poderia  deixar  a vocês,   amigos  e  leitores deste  canto  de  página,  neste  Natal  de  2015. Diz assim: “Na  bela  época  da  juventude, movido por poderosos instintos, para  os  abençoados primeiros  amores, o  peito se enche  alto  e  amplo para  cantar uma  bela canção, muitos  o  conseguem: a  primavera  canta  por  eles. Mas  vem o verão, o outono, o inverno. Muitos  problemas, preocupações  na  vida. Alguma  felicidade no casamento também. Batizados,  negócios,  conflitos e  disputas. Aqueles que  ainda  conseguem cantar  uma bela  canção, vejam: a esses chamamos Mestres”. Feliz  Natal!

Antônio Laért
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