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Colunistas - Neuza Carion

Luz, enfim

Publicado na edição 156 de Dezembro de 2015

Indignação, revolta, sentimentos de injustiça e impotência diante do descaso e da má fé, levaram o povo decepcionado e cansado de esperar, a tomar iniciativas, a se manifestar. Enfim, um alento de esperança, um lampejo de luz.

Há em tudo um lado claro e outro escuro, que não simbolizam necessariamente o bem e o mal, mas o equilíbrio. Precisamos dos dois. “Não haveria luz se não fosse a escuridão”...  A alma, assim como o corpo, precisa de luz. Mas é a vivência da treva que nos leva a buscar a luz. Se não agimos, aceitamos a escuridão como a única alternativa. É como se fechássemos os olhos para não ver.

Até há pouco tempo fazíamos a apologia da Esperança - e esperávamos, só esperávamos, sem atentar para o fato de que ter esperança não garante resultados. E não pressupõe inatividade: não basta ter o sonho e o desejo. Mais que possível, é necessário que ajamos para alcançar o que desejamos.

Em termos de Brasil, ainda que seja insuficiente o que até agora se fez para melhorar a Educação, houve um inegável avanço, se compararmos a alguma décadas atrás. Chega a ser quase doloroso ler os erros de grafia e gramática. Mas, com ou sem erudição, obedecendo ou não às normas da linguagem culta, há a manifestação de consciência e a aceitação (ainda não muito bem compreendida, é verdade) da necessidade - e da responsabilidade de todos - pela fiscalização e pela cobrança dos atos e fatos públicos. 

Gosto muito de uma frase, cuja autoria desconheço: “Educar é ensinar a pensar”. A essência precisa preceder a forma. Falar bobagens de forma correta não as torna verdadeiras ou úteis. Importante é a idéia. Numa pretensão filosófica, eu diria: primeiro a Ética, depois a Estética. Primeiro “o que”, depois “como”. Boa parte dos jovens das classes menos favorecidas, que são a maioria numérica da população, estão buscando concluir ao menos o ensino médio e são apresentados a realidades e conceitos até então desconhecidos ou estranhos às suas realidades. Estão se interessando e acompanhando o noticiário, formando opinião. Quanto mais pessoas souberem (e quanto mais as pessoas souberem), menor probabilidade de tretas e mutretas. E maior a participação nas demandas e decisões.

Talvez esteja com expectativas muito altas. Provavelmente o que espero não vai se concretizar a curto prazo. Mas é tempo de esperança. É tempo de se avaliar o passado e construir o futuro. Chega de aceitar passivamente a ignorância, a miséria e a desgraça - e também o descaso, a má gestão do dinheiro público, a corrupção, a incompetência - enquanto se aguarda que alguém faça algo. Elas são a treva permanente, o monstro que precisa ser combatido ou vai nos destruir. 

Chega de inércia. Quem sabe, faz a hora.

Neuza Carion
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