JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Clóvis Mendes

Revendo o passado no bonde alegria!!!

Publicado na edição 157 de Fevereiro de 2016

O MÊS DE JANEIRO DESTE ANO, data de minha fundação, sob acolhedoura sombra de um pé de Cacau, em meu quintal, lembrei dos agitos Cariocas, durante minha juventude e adolescência,saradas. De São Cristóvão (rua Santos Lima,35) no BONDE 56 ALEGRIA, destinava-me para o Centro da Cidade. Na companhia de inseparável amigo FAUSTO SANTOS DA SILVA (ele, de ITACURUÇÁ), funcionário da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, pela primeira vez, fui a Estudantina, na praça Tiradentes e lá, conheci por seu intermédio, a maior dançarina de Gafieira do Mundo, ANA (mais conhecida por Mudinha), ensinou-me os principais passos; depois, fui à casa de Pixinguinha, com seus Saraus, no Catumbi; Dias depois, fui à casa de Abel Ferreira, recebendo dele, convite para o lançamento de um Vinil, no Bar do René, em Teresópolis; nesses agitos acabei conhecendo Jacob do Bandolim, indo também em sua casa em Jacarepaguá. Outro amigo, para cuja filha Sônia, acabei doando Sangue na Casa de Saúde São Vicente, foi o organista e maestro Dijalma Ferreira, cujo conjunto, era composta por Cesar Faria (pai de Paulinho da Viola) no violão; Papão na Bateria, Geral Vespar no Baixo, Tião na percussão na Boaite Drik, do Hotel Serrador, com os cantores eram: Helena de Lima,Miltinho e às vezes Elizeth Cardoso. O Barmen era Lito Abeleira. Nesses ambientes, só entravam, maiores de 21 anos de idade, por ser Fuzileiro Naval, o acesso era livre. Eu não poderia mesmo, esquecer dessas maravilhosas pessoas, algumas, acabaram amigas, como Ed Maciel (Trombone de Vara), AGEPÉ, conheci, no juvenil do Vasco da Gama, onde jogava como zagueiro, abandonou o futebol para ser o que foi como intérprete. Sua esposa Vitória, outra pessoa excelente; Pitanga, que era Sargento da Aeronáutica, mas à noite, tocava maravilhosamente, seu Clarinete, na Boaite Caxangá na Barra da Tijuca; E o Moacir Silva, com seu Saxe, na Boaite Fossa, com Muxiba na Bateria, com aqueles óculos iguais a fundo de garrafas, Jaime no 7 Cordas e Waleska. Não poderia deixar de lembrar do Maestro e amigo Hélio Silva e sua banda, dividindo espaço as quintas-feiras com a Tabajara de Severino Araújo, na Churrascaria RODA VIVA, na Praia Vermelha; as tardes dançantes no São Cristovão Imperial Club; o Dancing Brasil, com o Fura Cartão; as “Meninas’; Alice, Zélia, Norminha, Gracinha, Juracy (Jura); Elite Club, no Campo de Santana, com o conjunto de Aristides Silva; os Democráticos, na rua Riachuelo, em cuja escada, havia uma boneca dourada. A Feira de São Cristóvão era distante uns cem metros de onde morava e lá acabei ficando amigo de um sanfoneiro fantástico ZÉ DA ONÇA, cujos oitenta e tantos anos, foram bebemorados lá mesmo, recentemente. EU FUI.  E o Chopp no Amarelinho, servido pelo paraibano Severino (Sevé, como assim era tratado por seus amigos e eu, claro).

E a Cantina La Fiorentina, com meu saudoso compadre JOÃO BÔSCO, do Copacentro; Dr. Armando Martins, Zélia Hoffmann, Jardel Filho, Oswaldo Bandeira, etc, Os sábados pela manha, no Helênico Clube, com o Vascaíno Dicró e Panacéia; os bailes no Confiança, em Vila Izabel, com o Sargento do Exército, IVAN SORIANO; grande parceiro. O Beco das Garrafas, onde desfilavam grandes artistas, como a DIVINA ELIZETH CARDOSO, Elis Regina, com Ribamar e seu Piano Bar; no Las Brazas com o Saxe de Macaé e Sebastião Moreno no Trombone de Vara e Celcinho na Bateria, com a voz afinadíssima de CACY, esposa de TIÃO, percussionista do Dijalma Ferreira; o Petisco da Vila, com Aldê César Monteiro, Fausto, Agostinho funcionário do Porto do Rio de Janeiro, Renato Ferreira (baiano de Jequié); e olinda, irmã de Aldê, grande pé de valsa, lembro-me também do português LOPES, dono do Barril 1800 em Ipanema; as Feijoadas no Cacique de Ramos, com o Fundo de Quintal, antes de ser o que hoje é; sempre com meu parceiro FAUSTO, de Itacuruçá; e o SUVACO DE COBRA, de meu saudoso amigo DE PAULA, na Penha Circular; por lá passavam nos fins de semana: Joel Nascimento (Bandolim e substituto na época, de Jacob, no conjunto ÉPOCA DE OURO) hoje o titular é o engenheiro de Niterói, Ronaldo, mas passaram também pelo conjunto DEO RIAN, Airton Amorim e outros bandolinistas extraordinários, que EU, ouvia e via à queima-roupa, com incontida satisfação. Meu irmão DANGA, quando vinha da Bahia, passava por lá e era muito bem recebido por essas feras. Quase me esquecia da Boaite Arpege, com o pianista maravilhoso, WALDIR CALMON, onde cantava Zezé Gonzaga, a voz de veludo. No Chico’s Bar, com João Roberto Kelly (Kelinho), sua música e as piadas jocosas. Frequentei muito o Cangaceiro, de meu amigo Oswaldo Martins, onde pontiava, a voz de HELENA DA LIMA e o grupo de Luiz Loy. Outro maravilhoso: Sebastião Tapajós, com seu violão, os convites, eu recebia de sua linda esposa Heloíza Razo, filha do almirante RAZO. Nesse período a minha residência já era na rua Salvador de Sá, mais próxima da LAPA, reduto boêmio do Rio de Janeiro.A PLATAFONA 1, de meus amigos Jota Martins e Sônia, na Lagoa Rodrigo de Freitas, com o show, FOLIAS BRASILEIRAS, lindíssima, Tom Jobim e Vinícius de Morais, ficavam em baixo, na Churrascaria, o Show era no andar superior. Quase me esquecia das Carangeijadas, na casa de Wilson Simonal, promovidas, por meu compadre JOÃO BÔSCO, do Copacentro; No Cordão da Bola Preta, que muito frequentei, acabei conhecendo o Cirllo Cunha (cujo apelido era Cazuza), filho de Ribeiro Cunha, autor do samba antológico: Na Subida do Morro, gravado por Moreira da Silva, (Falso Boêmio. só bebia água mineral). Em muito desses locais, exigia-se o terno completo, com gravata e para ”impressionar” as “Meninas”, sapatos tipo Motinha, com duas cores. No Clube Milionários, próximo ao Bola Preta, tocava Araken Peixoto,no Piston, ele é irmão de Cauby Peixoto. Tocava muito, Zé da Velha e Silvério Ponte, por lá passaram também. E no América (Mequinha), com o conjunto de Luis Carlos Vinhas, e as vezes, Ed Lincoln e a orquestra do maestro Cipó  excelentes. Para frequentar de terno, acabei comprando um Príncipe de Gales, na Ducal, era o máximo da moda de então. Há muito a ser relembrado mas... Com a DEVIDA VÊNIA, rogo compreensão de meus leitores, por essa retrospectiva de minha vida, antes de vir para MAGÉ, que é uma outra história; VALEU!!!

**********

O segredo,só no silêncio se confina.

**********

E por hoje é só. Sorria Periferia!!!

Clóvis Mendes
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui