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Colunistas - Neuza Carion

Surpresa Olímpica

Publicado na edição 159 de Agosto de 2016

A belíssima - em minha opinião - cerimônia de abertura oficial dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, que deixou os brasileiros, em sua maioria, cheios de emoção e orgulho, foi assunto dominante na mídia e nas redes sociais, dentro e fora do país, em comentários elogiosos. Apesar das campanhas em contrário, das dúvidas e temores - ainda que algumas críticas e argumentações estejam fundamentadas em verdades incômodas - a surpresa que os organizadores prometeram e guardaram cuidadosamente para a abertura foi, afinal, altamente positiva. Eu diria deslumbrante. 

Como fartamente divulgado, o tema foi diversidade, inclusão e sustentabilidade, nas questões sociais e ambientais. A coreografia, perfeitamente coordenada com jogos de luzes e efeitos especiais, fez uma representação da formação do Brasil, das influências que recebeu na construção da sua identidade, das suas conquistas e de como isto se reflete na sua realidade atual. Mostrou que nossa população, de acordo com suas características e com os elementos que a constituem, age e reage aos estímulos e circunstâncias muitas vezes produzindo efeitos indesejáveis, mas muito mais vezes, maravilhosos.


Afora o fato de sermos um país abençoado por Deus e bonito por natureza, temos também o poder do algo mais e da alegria... Quem sabe, em razão da alquimia de tantos fatores genéticos e culturais de todas as etnias e povos que compõem nossa população. Somos um povo cheio de boas qualidades: alegre, liberal, generoso, solidário, acolhedor, hospitaleiro. Também inteligente e trabalhador, apesar da fama caluniosa...


Temos uma criatividade favorecida pela formação orientada por informações e costumes de origens as mais diversas, e pela capacidade de usar o conhecimento obtido através da experiência prática para construir novos conceitos. Lidando com as contradições e paradoxos que são parte de nossa história, desde o início - como a riqueza de recursos naturais e a miséria que ainda atinge a muitos - aprendemos a extrair soluções das dificuldades, beleza da tristeza, força da fraqueza. Somos peritos em fazer conquistas apesar de e, às vezes, em razão das dificuldades.


Também desenvolvemos uma razoável aceitação das diferenças (apesar de alguns preconceitos mal disfarçados...), fácil de observar no âmbito das manifestações culturais - da Arte à Gastronomia. E não é isto resultado da inclusão? Somos ainda (o povo, não os governantes) um país conectado, não só com a tecnologia, mas com a filosofia global de preocupação e cuidado com o planeta – pátria da Humanidade. Ou estamos aprendendo, vá lá.


Muitos acreditam que, considerada a atual situação política do país, há coisas mais importantes a tratar que a realização de Olimpíadas - que até hoje não haviam acontecido em nosso continente. Mas entendo que é bom poder provar que somos capazes de organizar e realizar um evento desta magnitude com competência. Até este momento em que escrevo, nestes primeiros dias, apesar de alguns problemas iniciais da administração com relação aos expectadores, os visitantes estão sendo calorosamente recepcionados, sem notícias de violência, e o evento tem transcorrido dentro da maior normalidade.


Para mim não é novidade a visão de nosso país como uma promessa e uma esperança. Mas é claro que queremos ser mais que uma promessa, queremos concretizar a esperança! Depende de nós... Precisamos ver - e crer - que chegou a hora desta gente bronzeada mostrar seu valor. Para si mesma e para o resto do mundo. Esta está sendo uma boa oportunidade.

Neuza Carion
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