JORNAL MILÊNIO VIP - Dias com trevas; noites com sol

Colunistas - Ant√īnio La√©rt

Dias com trevas; noites com sol

Publicado na edição 164 de Maio de 2018

  “Como são maravilhosas as pessoas que não conhecemos bem”.

                     Millôr Fernandes(1923-2012)
             
  "É denso e intrincado o bordado das  circunstâncias".
                               Wislawa Szymborka


Há sempre um custo envolvido em abandonar uma empreitada,  mas nunca é  tarde  para  ser o que você  poderia ter  sido. A ruína vem de dentro e ainda que haja um cansaço de explicar - a situação está mesmo de vaca não conhecer bezerro -, o bom mesmo é estar no caminho, caminhando. Por isso, resistir é inaugurar  gestos que alimentam em nós a vontade de seguir em meio ao nevoeiro  espesso e complexo no qual hoje caminhamos, conservando aquela potência vital e ativa para avançar e atravessar a tormenta que passará. Ainda que estejamos  cansados  do  peso  de nossas cabeças, é uma questão de fé, de acreditar, de colocar alma nas coisas e insistir na poética do sonho, no desejo de ir em frente para não ficar e ser levado. Uma das características que mais definem o ser humano é o instinto de sobrevivência e a capacidade de adaptação às situações e aos locais mais inóspitos. Nesses tempos estranhos em que vivemos, convulsionados  por  pensamentos  polarizados, no qual a internet e as redes sociais proporcionam um fluxo de informações nunca visto na história da humanidade; apesar de conectados, estamos sempre sozinhos. Esse admirável mundo novo - kaos - exige reflexão permanente, opção pela melhor parte e um voltar-se, para que  não sejamos sufocados. Realmente não se corre atrás de doido, porque não se sabe para onde ele vai. Para nosso frágil equilíbrio, parar e esquecer se faz necessário. É assim que o vento leva tudo embora. Vivemos tempos críticos que interpelam. Onde anda seu pensamento? Aqui, em sintonia ou ali, pelo firmamento? Mas, todos que chegaram e ultrapassaram a porta, tal qual a flecha do arco, do arco-íris, que despedaça tudo em mil fragmentos, sentiram tudo  de todos os momentos, estando prontos a embarcar no barco de Íris e Osíris, para entrar  e adentrar  no  tempo e  no  vento, que regenera  e  recompõe, sem contratempo, por  algum tempo. Amarre então seu arado a uma estrela e antes  que  tudo desapareça, insista no  sonho  e continue a fazer sua parte.

Ant√īnio La√©rt
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