JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

QUE BELO DIA ESTRANHO PARA SE TER ALEGRIA

Publicado na edição 92 de Junho de 2009

“Tudo é erro na vida do revisor“. Millôr Fernandes

“O descontentamento é o primeiro passo no progresso de um homem ou de uma nação.“ Oscar Wilde (1854-1900)

Eu não sei quanto a vocês, mas eu, pelo menos, ´não fui convidado para essa festa pobre que os homens armaram para nos convencer´. Dizem eles que esses 444 anos foram de progresso e prosperidade, fiados sobretudo que nos últimos anos nossa Cidade dera um salto ?! Por que será que todos os que estão no poder têm sempre essa mesma auto complacente impressão ? Falta de visão ou de perspectiva do tempo ? Fato é que descia eu pela rua da Matriz ainda com cheiro de terra molhada e poeira levantada, quando avistei e se me deparei com alguns desses homens. Só os que comigo estavam e assistiram podem contar a triste e estranha alegria que a eles acometia. Pensei cá comigo: não haverá um enfado de todas as coisas; dessa lisonja excessiva ? Contamos todos os dias o tempo e a essa convenção nos aprisionamos. Magé, ao completar 444 anos de fundação, caminha apressadamente para atingir meio milênio de vida. Uma das mais antigas cidades do Brasil, fundada 65 anos após o descobrimento do país, já não faz mais aniversário, conta anos. Cada um de nós é seu presente, seu passado e seu futuro. Nesse momento em que sossegadamente esquecemos todo o mais para tão só lembrar e recordar, gostaria de ir à caixa dos milagres para furtar três. Ah, como desejaria! Com o primeiro milagre, deixaria nossa Cidade a salvo desses dirigentes demiantropofágicos que têm lançado nosso destino ladeira abaixo, contemplando seus interesses e pretensões antes de qualquer outra coisa; Com o segundo milagre deixaria de separar o joio do trigo, porque sei que este aqui existe em demasia. Deixaria o joio apodrecer e esvair-se no ciclo da vida. Cuidaria apenas de fazer com que o trigo brilhasse como os dourados trigais ao sol. Com o terceiro milagre, faria com que nosso povo colocasse para fora sua alegria e mostrasse toda a poesia que têm no olhar, dançando até o amanhecer para saudar a aurora e contar a todos que aqui se sofre de fartura e que nossa gente é nossa mais completa tradução. Nossos representantes nada mais são que caricaturas sem graça e expõem nosso lado enfermo. Magé resiste e resistirá a tudo e a todos. Ervas daninhas findam arrancadas e lançadas no fogo. Depois revolve-se a terra para que produza frutos cem por um. Talvez, um dia, quem sabe. Para quem nada espera, tudo o que vem é-lhe grato!

Antônio Laért
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