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Colunistas - Neuza Carion

Magé: por Neuza Carion

Publicado na edição 92 de Junho de 2009

Magé, 444 anos de exigência, nasceu ao mesmo tempo em que o Rio de Janeiro. Porém, diferente deste, não foi sob o signo da guerra, mas da construção, da produção. Criança de “pés descalços e braços nus”, cresceu ao sol e ao vento, livre da pressa e de pressões, sob a benção de Anchieta e à sombra das capelas, serra acima e serra abaixo.
Amadureceu, abriu caminhos, gerou outras cidades, sua terra e seu labor alimentaram a capital do Império. Atraiu e gestou grandes nomes da História da nação e por ela foi à luta. Foi pioneira da industrialização do país.
Então, pouco após haver-se emancipado, vieram os dias de terror e desgraça que, há mais de cem anos a mantêm presa a um círculo vicioso de abandono, estagnação e retrocesso. Com isto, o esquecimento do vigor passado, a desesperança.
Hoje se percebe um sentimento – injusto – de rejeição e escárnio. Sente-se a falta de opções, de perspectiva. Acusa-se o poder público.
O poder público é parte do problema, não O problema. Os três poderes que o compõem, são compostos por membros da sociedade, não por seres especiais, diferentes do resto da população. E levam para os postos que ocupam o que o meio social lhes transmitiu.
Para que haja mudança, é preciso que a sociedade amadureça e mude como um todo, é preciso educação em todos os níveis e espaços, não só na escola. É preciso que o conhecimento seja transmitido e que as informações sejam divulgadas de forma consciente, para que surja o desejo de mudar, de dentro para fora, e se faça o mo(vi)mento.
Quero terminar com a reprodução de parte do trecho final do livro “Os Horrores de Magé”, compilação de reportagens publicadas pelo Jornal do Brasil sobre os fatos ocorridos em fevereiro de 1894:
“Hoje Magé está se reerguendo sobre suas cinzas, convalesce lentamente dos terríveis sofrimentos por que a fizeram passar, e há de progredir, porque tem bons elementos para isto. Sua posição topográfica é favorável, exigindo apenas certos melhoramentos que, me parece, os poderes público do Estado do Rio hão de efetuar.
Sobretudo a torna simpática o caráter amável e obsequiador de seus habitantes, o seu espírito ordeiro e amante do torrão em que nasceram...
... E que Magé progrida e se torne grande e florescente, são os votos que faço com toda a minha convicção.”

Neste mesmo espaço lancei um desafio como uma semente, e agora, porque há um tempo de ação e outro de espera, espero. Se o terreno for fértil...

Neuza Carion
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