JORNAL MILENIO VIP

Jeito de ser

José Augusto Nalin

Publicado na edição 84 de Setembro de 2008

Convidado para o perfil do mês de setembro, o empresário José Augusto Nalin, aceitou de pronto o nosso convite. Porém dada sua forte determinação de empreendedor, sugeriu que a pauta fosse mudada, pois gostaria de falar algo que retratasse suas inquietações a respeito da Mutação da Vida, DO RESPEITO AO TRABALHO, DE SUA Religiosidade enfim, um depoimento de viver o cotidiano, com entusiasmo e responsabilidade. Na verdade, através do meu trabalho eu descubro a vida, as pessoas, e tudo o que acontece à nossa volta. A única armadilha de que preciso me dar conta é não achar que um dia é igual ao outro. Na verdade, toda manhã traz em si um milagre escondido, e precisamos prestar atenção a esse milagre. “Dever” é uma palavra misteriosa, que pode ter dois significados opostos: ausência de entusiasmo ou a compreensão de que precisamos dividir nosso amor com mais de uma pessoa. No primeiro caso, estamos sempre dando uma desculpa para não aceitar nossa responsabilidade; no segundo caso, o dever transforma-se em uma espécie de devoção, de amor irrestrito pela condição humana. E passamos a lutar por aquilo que queremos que aconteça. Isso eu procuro através do meu trabalho: dividir meu amor. O amor é também uma coisa misteriosa: quanto mais dividimos, mais se multiplica. Existe um comentário no Gênesis que sempre me intrigou: o trabalho é considerado uma espécie de maldição que Deus joga no ser humano. Quando Adão comete o pecado original, escuta do Todo-Poderoso: “Em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. No suor do teu rosto comerás o teu pão.” Custou muito tempo para que eu entendesse que, ao fazer isso. Deus estava colocando o Universo em movimento. Até então, tudo é lindo, paradisíaco – mas nada evolui e, como acabamos de conversar, Adão passa a crer que um dia é igual ao outro. E por conseqüência perde o sentido do milagre de sua própria existência. Um homem caminhava pelos Pirineus franceses quando encontrou um velho pastor. Dividiu com ele seu alimento, e ficaram um longo tempo conversando sobre a vida. Em um dado momento, o tema começou a girar em torno do trabalho.- Não sou livre. Minha vida é miserável porque sou escravo do meu emprego. O pastor começou a cantar. Como estavam em um desfiladeiro de montanhas, a música ecoava suavemente e enchia o vale. De repente, o pastor interrompeu a música e começou a blasfemar contra tudo e todos. Os gritos do pastor também refletiam nas montanhas e voltavam onde os dois se encontravam. - Tudo depende do que você está fazendo – disse o pastor. – O *trabalho é como este vale, reflete a energia que colocar nele. Não existe tarefa miserável. Se não está satisfeito corra o risco de mudar tudo e dedicar-se ao que ama. Melhor ser alegre com um pequeno *salário do que ser infeliz porque tem medo de mudar. *Trabalho e salário = todas as atividades do nosso cotidiano. PS.: Toda esta coletânea faz parte de um grande aprendizado do empresário nas buscas de suas leituras, inclusive de Paulo Coelho, onde se identificou com o artigo da Revista de Domingo do Jornal O Globo, que resultou o perfil aqui apresentado.