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O Pavarotti de Magé

Publicado na edição 119 de Fervereiro/Março de 2012

Ex técnico em contabilidade e ex acompanhante de um deficiente físico, Jacques Rocha, de 34 anos, é considerado por Fernando Bicudo, diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira, “o grande nome” surgido no canto lírico nos últimos anos.

- “Quando o vi cantando pela primeira vez, vi que estava diante de um artista de grandeza extrema”, diz Bicudo.
-Ele se impressionou ainda mais quando Jacques, na audição para entrar no coro do Teatro Municipal, cantou a ária da ópera A Filha do Regimento de Donizetti. “Ela tem nove dós, é dificílima”, diz Bicudo.
-Jacques encheu o peito e mandou ver. “Foi de uma perfeição impressionante”, lembra Bicudo. Filho de uma aposentada e um pedreiro, Jacques foi criado em Magé e passou a infância ouvindo música clássica na Rádio Mec.
-Não tinha discos nem ninguém na família que cantasse. “Negro, de família humilde, é o estereótipo do cara que não
gosta de ópera”, diz o diretor da OSB. Mas Jacques foi, viu e venceu. Está no Coro do Municipal.
-“Quero cantar que nem o Pavarotti, ele é o cara”, diz Jacques. Para Bicudo, é só uma questão de tempo. “Estamos lançando um tenor que vai brilhar nos palcos do mundo, tenho certeza.”

Fernando Bicudo, diretor da OSB, e o tenor Jacques Rocha: “Fiquei com os olhos rasos d’água quando o vi cantar”.