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Os jogos Paralímpicos 2012

Publicado na edição 125 de Setembro de 2012

A cerimonia de abertura dos Jogos Paralímpicos foi uma ode à capacidade humana de ser livre de limitações: o maior evento esportivo para atletas com deficiências de mobilidade, amputações, paralisia cerebral e deficientes mentais. Uau! Milhões de pessoas ao redor do mundo assistindo o físico e professor Stephen Hawking, talvez o deficiente mais famoso do mundo. Ele, como narrador da cerimônia, sentiu-se feliz e honrado de participar do evento e disse: "É muito importante usar este palco para mostrar ao mundo que, apesar das nossas diferenças, existe algo que podemos fazer bem."

Os brasileiros, como sempre, foram super bem acolhidos na arena de esportes. Eles sempre trazem um garantido ‘algo a mais’, seja isso pela sua história do futebol ou sua alegria contagiante. Os repórteres da televisão britânica sempre saúdam os jogadores de futebol como campeões, e quando esses não ganham eles ficam desapontados porque adoram a habilidade dos brasileiros. Sempre senti que existe um certo carinho pelos jogadores brasileiros e pela bandeira verde-amarela.

Não que eu venha assistindo aos jogos todos, mas sinto um certo engajamento no ar. A possibilidade de pormos um fim a mais uma de nossas adquiridas crenças: que somos limitados. Para mim é um um movimento cativante, aquele de se ir além, principalmente na questão da nossa relação com o outro, o diferente.

Alguns jornais reportam que este evento paralímpico, que atraiu atletas de quase todos os cantos do globo, com diversidade cultural, poderá finalmente mudar nossas atitudes para com o diferente. Espero que sim. Ontem, enquanto assistíamos um jogo de basquete entre o Canada e a Grã-Bretanha falávamos sobre a beleza do jogo, eram atletas usando seus corpos de maneira que um jogador de basquete usual não conseguiria usar. Eram bonitos, como quaisquer outros atletas. Uma beleza energética com padrões e estilos diferentes do que estamos acostumados a ver.

Um fotógrafo do The Observer, que perdeu suas pernas em uma explosão no Afeganistão escreveu em sua coluna: “Em um instante uma bomba me mudou de corredor de maratona para um amputado. Para a sociedade eu tinha me tornado um homem incapacitado." O mundo agora se relacionava com ele de forma diferente. Através do seu trabalho ele diz que começou a ver o melhor e o pior nas pessoas: aqueles que sucumbem à adversidade e aqueles que passam por cima. Ele diz que vê heroísmo nos competidores, um heroísmo interno. Assim é que sua identidade com as comunidades de deficientes e ‘eficientes’ mudou, em questões de segundos, quando aquela bomba fatal explodiu. Será que nos lembramos disso a todo momento? Que somos e não somos?

Na BBC News mostraram um vídeo sobre Gabriel Muniz o menino brasileiro de 11 anos, um dos melhores jogadores de futebol da sua escola, que nasceu sem os dois pés e sonha um dia tornar-se um profissional do esporte. Gabriel foi convidado para o centro de treinamentos do Barcelona em Saquarema. Ele provavelmente participará de futuros jogos paralímpicos.

E as histórias se duplicam, triplicam … mas talvez só durem enquanto os jogos estiverem no ar. Depois estaremos de volta às tramas políticas, às fofocas célebres, de volta a gana dos em poder, de volta às desigualdades sociais, de volta a salientar as diferenças, voltar ao que acreditamos ser o normal. Mas não desesperemos ... em 2016 voltamos a conversar sobre este assunto … mas por que esperar tantos anos?

Por Nadja Nathan...
Saí do Brasil em 1973 e me estabeleci na Inglaterra. Hoje em dia moro na Índia e na Inglaterra. Meu marido é o Luke. Michael meu filho mora em Londres e minha filha Rebecca na Austrália! Na área profissional fui professora de adultos e professora de treinamento de professores, fui cozinheira de comida vegetariana, dona de editora digital, professora na Índia, fiz jardinagem e … mas o empolgante mesmo é que todas essas experiências levam-me a querer viver uma vida plena e a compartilhar ...