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Entrevista com o Prefeito Nestor Vidal

Publicado na edição 131 de Junho de 2013

Jornal Milênio: Prefeito, eu gostaria que o senhor desse uma palavra de incentivo para esse povo, eu sinto que eles estão bastante desmotivados em relação à perspectiva que tinham, a expectativa de prefeito. Mas eu entendo também que eles não têm conhecimento - e estou falando da classe mais carente, da classe que mais cobra - que quem cobra de você, do governo, é a população mais necessitada, porque a população da classe A da cidade está conivente com tudo, tá todo mundo pendurado dentro do governo... Acho que eles não têm conhecimento do trabalho que é, da dificuldade que é dirigir um município, das complicações que são os interesses políticos dos vereadores e do povo de uma maneira geral. Enfim eles não têm esse conhecimento e ficam cobrando uma coisa que na realidade eles não entendem, de como é governar um município.

Nestor Vidal: Rosinha, em relação a essa questão toda, eu penso que nós avançamos bastante em várias áreas do município, em termos de liberdade, em termos de perspectiva de futuro de Magé. Hoje Magé já tem uma visão externa melhor do que a do passado. Em todos os lugares a que a gente vai, as questões são diferentes. Agora, o que é governar um município? O que que é fazer uma obra? O que é mudar paradigmas? O que é mudar uma cidade em que, em todos os segmentos, já não se tinha mais nada? Nós pegamos o município sem nenhuma expectativa, nenhuma estrutura organizacional, nós estamos indo em busca disso, nós estamos indo em busca do concurso público, nós estamos indo na qualificação dos funcionários, nós estamos tentando captar empresas para virem para Magé. Nós estamos desmistificar o município de Magé e transformar esse município em um município acolhedor. O que está acontecendo agora, imediatamente? Nós temos que avaliar que agora, neste exato momento que você tá falando comigo, nós estamos há 5 meses de governo pós eleição. Tivemos um período conturbado, tivemos que ficar com uma Câmara, que era aquela Câmara antiga, em que a gente tinha que se submeter a algum tipo de questões que a gente não gostaria. Viemos para uma eleição, vencemos a eleição muito bem, tivemos uma eleição na Câmara, a vontade da maioria dos vereadores se estabeleceu com um novo presidente. No início houve um embate entre o prefeito e a Câmara  -que levou uns 2 meses para se negociar e ter uma governabilidade, porque o Prefeito não faz nada sem a Câmara, assim como a Dilma não faz sem o Congresso, assim como Barack Obama tem dificuldade no Congresso. Essa questão da nossa democracia, que tem Legislativo, Executivo e Judiciário, ela é complexa e talvez o povo na rua não saiba da complexidade que é você fazer concessões e às vezes fazer imposições. Existe uma eterna briga, uma negociação, vamos dizer assim, entre Legislativo e Executivo, tudo tendo por base a Lei.  E a gente está se adaptando a essa perspectiva. Nós nos aproximamos do governador Sergio Cabral, trouxemos o CVT, está vindo a UPA -veja bem - a UPA que deve ser inaugurada nos próximos 60 dias e deve regular toda a emergência do município. É um aspecto em que o Estado entra dentro do município, regulando a emergência. Isso será um fator que vai mudar a questão da emergência do município. Nos próximos 60 dias estarei inaugurando a Policlínica de Santo Aleixo; estamos reformando mais de 15 PSF; estamos com mais de 25 obras em todos os distritos de Magé, de drenagem de rua, de asfalto, de iluminação. Licitamos agora 5 creches e vamos começar a fazer operações nos centros urbanos que poderão contemplar o pedestre e o ciclista - isso é uma política quase que nacional e mundial: o número de carros tem invadido a área do pedestre do ciclista. O que estamos querendo fazer agora, com a Dr. Siqueira, é um calçadão em que só vão passar pessoas andando - nem bicicleta, nada vai passar ali - porque nós precisamos fazer uma área em que as pessoas possam andar no Centro de Magé, e que o Centro de Magé seja acolhedor (e sem perigo). E também no Centro de Piabetá, em que vamos devolver aquela paraça para a população, vamos devolver de forma a que as pessoas se sintam bem, em que não haja aquela invasão de camelôs, que impede as pessoas de circular. Estamos vendo uma área para colocar os camelôs de Piabetá, um mercado popular. Vamos fazer um espaço para que a feira não faça uma concorrência com o comércio de Piabetá, mas de uma forma que ele também fique contemplado, ou seja, nós estamos vendo os problemas cruciais do município que é para dar uma perspectiva melhor. Estamos arborizando a cidade toda, estamos tentando fazer os parques e jardins. Agora, o povo tem todo esse direito, o povo ficou muito quieto durante muitos anos em que não podia nem falar, então hoje é a hora dele gritar, e eu tenho que me adaptar a esse tipo desse grito da população. E tem que levar isso com muita calma, e entender que isso é importante! Você quer ver só? Eu tenho falado dessa forma assim, estamos prestes a recuperar um dinheiro que há mais de quatro anos nós tínhamos perdido, para fazer obra em toda a Barbuda. Na Bela Floresta tem verba federal que nós tínhamos perdido e estamos resgatando. O governador, quando veio aqui na inauguração da Delegacia Legal (que também foi uma promessa dele para o prefeito),  falou: - Prefeito eu vou dar para Magé 55 km de asfalto, drenagem, iluminação e calçada. Quer dizer que, possivelmente, já no segundo semestre a gente vai, junto com o Governo do Estado, estudar esses bairros nossos que estão aí praticamente ilhados, sem nenhuma expectativa de progresso, para dar uma possibilidade positiva. Então eu acho que é uma coisa muito importante. Agora, em cinco meses é uma coisa que não se consegue.  Isso tudo que estou falando para você vai vir num desdobramento gradativo. As obras vão vir, nós vamos buscar os recursos, estamos licitando. Se você for agora a Santo Aleixo, vai ver que eu estou preparando uma operação que vai anteceder a festa de Santo Aleixo, que é em julho. A gente pretende entregar a Policlínica na semana da festa; pretendemos recuperar a Vila Operária, que tem um calçamento todo complicado; vou entrar com calceteiro, os canteiros de obra que tem lá, os canteiros de jardim, o pessoal já está começando a trabalhar. Estamos fazendo uma espécie de choque de ordem no município, de a Lei prevalecer porque aqui em Magé, ao longo dos anos, como os governantes tinham por hábito não cumprir a Lei, ninguém cumpria a Lei. Temos que fazer a operação do som em Magé, não é mais possível as pessoas usarem o carro de som (ou a bicicleta) na altura que usam. Para você ver, estamos mandando uma Lei para Câmara, em que vamos medir esse som. Se a pessoa não cumprir, o carro vai ser preso. Ninguém pode ocupar as calçadas, interrompendo o ir e vir das pessoas, que têm que ir para rua.  Então, acho que o nosso município está apenas iniciando. O povo tem aquela expectativa imediatista que o Prefeito no dia seguinte vai acordar e tudo o que se imaginou o Prefeito novo vai fazer. Eu penso que nós vamos conseguir, eu penso em deixar esse município de uma forma organizada e bem melhor do que o município que nós pegamos, mas é um longo caminho, é uma longa estrada, isso tem negociação estadual, negociação federal, negociação municipal.

Jornal Milênio: Prefeito, o senhor falou de Magé, de Santo Aleixo. Eu queria que o senhor falasse um pouco de Mauá, das perspectivas para Mauá, Suruí e Piabetá.

Nestor Vidal: De Piabetá eu já falei do que nós vamos fazer, que é o apoio urbano. Nós estamos entrando lá no Corocoxó, fazendo asfalto e drenagem lá. Em Suruí estamos fazendo uma grande obra, uma obra que há muitas décadas não era feita, de drenagem. Era uma continuação de grandes alagamentos que pegavam todo o bairro, desde a pista até o Centro. Nós fizemos essa drenagem, uma obra muito cara, que vai tirar Suruí daquele alagamento constante. Estamos asfaltando as ruas ali no Centro e vamos fazer uma grande praça, com campo, quadra, perto do Partido. É uma quadra que vai contemplar Suruí e Mauá. A gente está com asfaltamento seletivo de ruas sendo feito, estamos tentando recuperar a Guia de Pacobaíba, primeira estação de trens, inclusive contemplando o parque temático. Estou em busca de financiamento para fazer o Museu do Garrincha em Pau Grande, estou em parceria com empresas multinacionais para tentar fazer esse investimento. Em Mauá nós já fizemos a opção: não sei se você se lembra, quando se interrompia o trânsito na rua principal no carnaval e no final de ano, se passava por uma rua de barro. Já asfaltamos aquela rua toda e a Rua das Aninhas já está com a drenagem efetuada. É uma rua importante, com muitos moradores . Eu só não entrei com asfalto ali ainda, porque nesse momento a CEDAE está colocando os tubos. Essa obra da CEDAE, que nós fomos buscar, é uma obra que já tinha ido embora, e que está lá em Mauá, com os canos passando para que a água chegue lá. Então, muita coisa já foi feita que as pessoas não têm nem noção. Talvez a grande falha da nossa gestão, eu não tenho a menor dúvida, é a comunicação. Porque nós fizemos nesse pequeno período, talvez mais do que dois governos tenham feito e conseguimos ainda resolver alguns problemas, como obras inacabadas, que deixaram para gente. Muitas coisas que estão aparecendo para que o prefeito agora resolva, e nós estamos fazendo a programação para resolver, nós estamos prestes a sair do CAUC, que é o SPC do município. Quando eu entrei, havia doze processos de convênios que impediam o município de receber financiamento de qualquer parceria. Eu estou com três processos para limpar o nome de Magé em nível nacional. Nunca se pensou nisso. Então eu tenho feito um trabalho muito técnico em relação a isso, eu penso que a saída de Magé está na qualificação das pessoas que aqui estão. Eu tenho cobrado, eu sou presidente da agência do CONLESTE, que é a associação dos prefeitos em torno do COMPERJ, e tenho cobrado, porque a Petrobras só tem sido para gente um fardo, nunca entrou em Magé para fazer uma contrapartida, nunca botou um centro de capacitação, nunca trabalhou para botar saneamento em Magé. Eu fiz um projeto em Brasília e fui contemplado com cerca de 90 milhões para fazer o saneamento do Rio Roncador, desde lá do Pau a Pique, até aqui a saída. Tem etapas a serem seguidas, mas a gente acha que durante esse ano, a gente consegue cumprir as etapas para que no segundo semestre do ano que vem, a gente vai começar as obras. Não é num toque de mágica, são etapas que tem que ser seguidas. Eu penso que o nosso município, em pouco tempo, vai ter uma perspectiva muito melhor. Ele vai ser um município respeitado. Agora vou fazer uma pergunta para você e vou te responder uma coisa que você não perguntou. As pessoas falam na rua – Nestor, e o shopping? Vou falar para você, o shopping é um empreendimento com mais de 12 empresários que começaram a fazer a obra e eles, entre eles, se desentenderam.  Então eu estou esperando, tem um grupo querendo comparar a parte do outro, e a informação que tive na última semana é que o negócio estava quase sendo feito, mas eu não posso intervir na negociação de empresas privadas, tem grupo, ambos querem fazer a obra, mas precisam resolver problemas entre eles. Então eu penso que também é uma situação que em breve será resolvida e que a obra será retomada.

Jornal Milênio: Prefeito e a nossa água? Dizem que começaram a obra por Mauá, mas não deveria ser feito em Magé primeiro?

Nestor Vidal: Esse é um sistema de engenharia que tem um nome técnico PERT/COM. Um projeto em que as partes do todo começam a ser construídas ao mesmo tempo, tem etapas sendo feitas em Suruí, em Mauá e eu fui convidado para na semana que vem ir lá na Maria Conga, eles estão quase finalizando o reservatório de água para o primeiro distrito. Então tem etapas que as pessoas, que entendem de engenharia melhor do que nós, fazem nas áreas que dão maior problema. Eles começam por aí. A obra não é feita de modo que a gente veja a evolução dela de forma ordenada, eles fazem em todos os distritos. Tem obra sendo feita que está passando tubo até dentro de mangue. Tivemos uma reunião no ano passado, eu  e representantes da CEDAE - porque a água é do Estado - com a juíza e o Ministério Público, em que houve um compromisso do Estado e da CEDAE, que a situação dessa água, aqui, no verão desse ano, já seria melhor que a do ano passado, que foi um caos. Agora você imagina, Rosinha, se a gente não tem aquela eleição, se eu saio desesperado correndo atrás do governador e das empreiteiras que já tinham abandonado a cidade de Magé, para que a obra retomasse e foi muito difícil, porque quando eles vieram para retomar, a obra aumentou de preço em mais de 30% e foi preciso uma força política para que o governador autorizasse o aumento daquela verba - e nós conseguimos.

Jornal Milênio: Eram 53 milhões, eu me lembro, na época!

Nestor Vidal: E já foi para mais de 80 milhões, você imagina se nós não tivéssemos retomado aquela obra, nós não teríamos hoje nenhuma perspectiva. Então é importante a gente reconhecer que Magé respira outros ares. Agora, eu discordo em parte, não totalmente. Eu tenho feito tudo para contemplar o povo de Magé onde eu vou, em qualquer lugar do nosso município eu sou muito bem recebido por todo mundo. Agora, tem muita gente da classe que você falou que está muito incomodada comigo, porque eu mudei o paradigma da política de Magé, eu seccionei correntes políticas, que eram a continuidade e não mudavam com o ator principal, mas a estrutura é sempre a mesma. Eu consegui mudar a estrutura da política de Magé.

Jornal Milênio: E isso é muito importante?

Nestor Vidal: Eu acho que a minha grande missão é exatamente essa, é dar para Magé o direito de respirar outros ares, de ter um futuro que não retorne ao passado, porque o passado foi muito triste, você é uma das vítimas desse passado político de Magé, como muitos...

Jornal Milênio: Prefeito, eu vivo aqui e eu vou fazer 70 anos. Magé é uma cidade lindíssima, mas reza a lenda que Deus disse: “- Olha o povinho que eu coloquei lá...”  Isso porque eu ouço muito dizer que sentem saudade da gestão anterior.

Nestor Vidal: Eu penso que essa de saudade é como se fosse uma maneira de falar um palavrão. Posso te garantir que ninguém, nem quem fala isso, tem coragem de ser fotografado com ela. Porque essas pessoas viraram sinônimo de palavrão e o momento é o momento do grito. Eu tenho que aprender a lidar com isso de forma tranquila, o povo tem o direito de fazer o que for, a gente entrou na vida política, tem que se submeter a isso. Se a gente entra e acha que vai ser só louros, principalmente ser prefeito, que é responsável por tudo - prefeito é responsável porque choveu demais, prefeito é responsável porque choveu de menos, prefeito é responsável pelo buraco que aconteceu no meio da rua, porque o vizinho botou o lixo na rua de forma indevida, porque ele pegou a obra e jogou lá e interrompeu - então ser prefeito é esse ser (ser dono da cidade e responsável por tudo) e você sabe que eu não tenho vaidade disso ,eu não vivo esse glamour, eu  não tenho isso na minha vida. Sou um homem experiente, eu vivo uma parte, me cabe a parte que eu tenho,não tem nada que eu deseje  que a política possa me dar, a não ser fazer uma melhoria para um município de que eu gosto, que eu amo.

Jornal Milênio: 
Eu fiz um levantamento, não sei se está correto, mas vou continuar: consta que o senhor é o sexto mageense eleito prefeito do município, o senhor tem conhecimento disso? Mas vou perguntar ao Seixas...

Nestor Vidal: Não, não sabia, depois você me traz essa confirmação. E eu gostaria de sair da prefeitura entregando Magé numa normalidade democrática em que as pessoas discutem as idéias, ideais, e dêem prosseguimento. Muitos problemas irão ficar, mas com perspectiva, e eu estou tentando fazer o plano diretor do município, que não existe, o que é um crime. Esse plano diretor será a bíblia dos próximos gestores, porque pela sociedade, eu revitalizei todos os Conselhos do município, em que a população vai poder se manifestar. Nós estamos fazendo com que a Lei seja cumprida, eu não posso deixar é ter aqueles profissionais de conselho. Cada  conselho tem que ter um representante, não pode ter uma pessoa que se represente em todos os conselhos, isso é antidemocrático. Então a gente está tentando sinalizar isso para as pessoas. Quando as pessoas tem saudade, às vezes, de governos passados, é porque nos governos passados, eles deixavam essas situações acontecer. Era tipo assim: você vai ser minha oposição e aquela oposição era autorizada. Hoje não. Você quer fazer oposição, vai lá, eu não autorizei, nem paguei para você fazer oposição para mim. Porque  no passado até para você fazer oposição era autorizado, porque eles sabiam... 

Jornal Milênio: 
Prefeito, o senhor acha que a CRT impede o crescimento da cidade? 

Nestor Vidal: A CRT é uma situação que nós vamos resolver. Eu inclusive tive uma reunião preliminar, depois da eleição, com um dos seus representantes e eles estão fazendo um levantamento porque eu acho inadmissível o povo de Magé pagar pedágio. Ou a CRT vai dar essa opção para o povo de Magé, ou o prefeito do município vai dar. Eu falei isso para eles, eu estou esperando que nos próximos 60 dias eles venham para fazer a segunda pauta, para dizer o que eles podem fazer para os habitantes de Magé. Eu quero que não pague - eu não quero contra partida, ou que diminua. Agora, se isso não acontecer, eu vou me esforçar muito para dar ao povo de Magé uma saída contra o pedágio. Acho que Magé tem território suficiente e eu vou fazer isso. Não é uma questão de fazer nada, eu quero que a contra partida agora seja no bolso de cada habitante de Magé.

Jornal Milênio: E a Saúde, prefeito?

Nestor Vidal: A saúde é uma questão emblemática e muito complicada. Saúde, você liga a televisão hoje e vê que nós estamos nesse contexto do Brasil, o que nós vamos fazer?  Agora, qual é a perspectiva? O problema está na Baixada, o problema está no Brasil. Mas vamos falar de Magé. O que nós vamos fazer em Magé?  Nós estávamos com situações recentes em que eu tenho procurado sempre andar dentro da Lei. Eu sou um prefeito que preza sempre pela Lei, procuro sempre cumprir, por mais que eu tenha que responder no futuro por qualquer coisa. É um compromisso meu e o procurador e os advogados trabalham para botar os atos do prefeito na legalidade. Estávamos com alguns médicos do município que estavam trabalhando com três vínculos, ou tinham um vinculo e só vinham trabalhando um dia. Então eu entrei nessa situação para poder resolver e dar legalidade, porque eu não posso admitir que as coisas fiquem na ilegalidade. Porque eles recebem, estão trabalhando, mas depois eu vou responder por isso, porque a Lei e a Constituição não autorizam esse tipo de relação. Então estou hoje com um novo Secretário, colocando na legalidade todos os médicos e captando, colocando um salário que está acima do mercado,por exemplo, de Teresópolis, de Guapi. Magé paga mais e a gente está tentando fazer isso para poder captar um médico aqui, mas dentro da legalidade. Agora, a gente não consegue o número de pediatras que Magé precisa, eu não consigo, como todos os municípios. Itaboraí fechou agora uma unidade pediátrica, porque não tem médico pediatra suficiente. Estamos tentando ir para o Estado, vamos tentar captar SISBAF para tentar trazer médicos de PSF para cá. Estou tentando fazer a clínica da cidade em que eu vá estimular o médico e dar um salário diferenciado. Essa UPA que vai ser instalada aqui já vem com a captação. Essa UPA vai dar uma possibilidade para o médico estar vinculado com o município, ter um vínculo no município e na UPA, porque não é o município que vai arcar com a UPA. Eu tenho conversado com as pessoas que vão administrar a UPA, para ver se a gente faz essa parceria, porque aí vai possibilitar fixar médicos em Magé. O médico vai dar um plantão na UPA e vai fazer ambulatórios na cidade, ele não vai ganhar só o vínculo do município, ele vai ganhar dinheiro da UPA também. Então eu vejo que nos próximos meses, a possibilidade da saúde do nosso município, vai ser: a UPA regulando a emergência, a Policlínica atendendo com mais de 70 leitos. Enquanto os municípios estarão fechando seus leitos hospitalares, Magé estará aumentando seus leitos hospitalares, e a gente colocando médicos nos PSFs. A saúde é problemática, não é a toa que o governo federal está captando médicos até do exterior, mas eu estou focado nisso, eu acho que nós vamos ter ainda alguns momentos de dificuldade na Saúde.

Jornal Milênio: Prefeito e agora, 448 anos. O senhor já deu todas as possibilidades e as perspectivas para o nosso município. Mais alguma palavra, mais alguma coisa que o senhor gostaria de acrescentar, além de paciência, tempo e esperança? Sim porque o seu objetivo é acertar.

Nestor Vidal: Eu acho que no momento que estamos atravessando, Magé encontra-se como o município mais bem localizado para a instalação de novos investimentos em nosso Estado. A duplicação da BR 493 é uma realidade, porque sem ela não vai existir o COMPERJ. A obra deve ser iniciada até dezembro, ou inicio de 2014. Essa duplicação possibilitará a instalação de empresas que precisam estar próximas do COMPERJ e da REDUC, então eu vejo que Magé (e sem o pedágio... sim, sem o pedágio para os mageenses, que não se coloque no povo de Magé esse peso), eu acho que o futuro de Magé é muito grande, e no que nós precisamos investir, e eu estou focado nisso, é na qualificação do nosso povo. Magé perdeu muito tempo. Se essas empresas chegam em Magé, infelizmente a gente não vai ter 30% das vagas para o mageense, porque o nosso povo ficou muito tempo sem uma possibilidade de qualificação. Eu estou desesperado agora com essa parceria do Prefeito com o Governador em que ele trouxe o CVT para Magé. Isso aí foi resolvido dentro do gabinete dele, à 1h da manhã, quando ele se comprometeu em trazer esse CVT que a gente inaugurou aqui. Isso já vai qualificar, de forma ainda muito discreta, a nossa população. Mas nós temos que ir em busca de um colégio federal.

Jornal Milênio: Inclusive eu li no jornal da prefeitura, que se Teresópolis não consegue, Magé consegue a faculdade federal.

Nestor Vidal: É, a faculdade é outro assunto. Mas colégio federal, Magé é a única cidade com mais de 200.000 habitantes no nosso Estado que não tem um. Magé foi penalizado ao longo dos anos, porque os políticos estavam aqui e não deixavam as coisas acontecerem. Então eu tenho que às vezes ouvir – Ah, o Prefeito está onde? O Prefeito está no Estado, o Prefeito está no Palácio Guanabara, o Prefeito está em Brasília, o Prefeito está no Ministério, essa é a vida do Prefeito. A gente é Prefeito vinte e quatro horas, mas eu estou feliz, sabe? Eu estou feliz porque eu vejo sinais de melhoria de civilidade em Magé.

Jornal Milênio: Eu também, só não concordo em uma coisa: limpeza . Prefeito,  agora vou aproveitar o lance, eles pegam o lixo muito tarde! Cinco, seis horas da tarde deixando a cidade imunda o dia inteiro, porque o povo coloca o lixo pela manhã. Daí a cachorrada faz a festa.

Nestor Vidal: Eu vou levar isso lá para o Secretário de Serviços Públicos. Mas você não me perguntou uma coisa que eu vou perguntar para você - Prefeito e o transporte? O transporte está tendo que se adaptar às normas. Nós estamos agora copiando ações que estão acontecendo no Estado do Rio, na cidade do Rio de Janeiro. O PROCON vai atuar nessa cobrança, o PROCON vai ter que exigir que as empresas cumpram, e coloquem ônibus capazes de atender a população. Se isso não acontecer nós vamos começar a prender os ônibus. Todos os ônibus têm que respeitar a população de Magé e você sabe que o poder financeiro dessas empresas é muito grande. É preciso ter um prefeito que seja comprometido com a população, porque senão eles vão lá e tentam fazer com que o prefeito nem tome as atitudes necessárias. Hoje a prioridade é o povo de Magé, não há nada que eu faça que eu possa negociar os direitos do povo de Magé. As pessoas podem falar o que quiserem, pode falar, criar o que quiserem. Eu estou preparado para viver fofoca, para viver boatos, mas permaneço determinado a fazer desse município, um município digno, a fazer um município melhor, e que a minha passagem aqui tenha valido a pena. E para valer a pena eu preciso ter o compromisso até de não entregar esse município para pessoas que não amam Magé, esse é o compromisso de vida que eu tenho.