JORNAL MILÊNIO VIP - Entrevista: Comunidade Servos da Divina Misericórdia

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Entrevista: Comunidade Servos da Divina Misericórdia

Publicado na edição 138 de Março de 2014

 

Pouco depois de haver sido divulgada a informação de que Dom Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro, está entre os novos cardeais nomeados pelo Papa Francisco, soubemos que ele viria participar de uma solenidade e rezar uma missa aqui em nossa região. O fato tem um significado especial para os católicos mageenses, pois a notícia da indicação veio ao mesmo tempo que outra: a do início do processo de beatificação do mageense  Jerônimo de Castro Abreu Magalhães e de sua esposa Zélia, de cuja candidatura Dom Orani foi padrinho.  Buscando informação sobre a visita do Arcebispo, chegamos à Comunidade Servos da Divina Misericórdia, no Vale das Pedrinhas, no município vizinho de Guapimirim, que o recebeu. Ali se desenvolve, entre outros, um impressionante trabalho na recuperação de dependentes químicos.  Foi ali que o Irmão Ricardo – morador da comunidade, casado, com um filho, ex-adicto livre do vício há mais de 15 anos, feliz, sorridente, dizendo sentir-se realizado - nos concedeu esta entrevista.

Milênio Vip - Fiquei sabendo da visita de Dom Orani Tempesta para celebrar uma missa aqui e assim soube que aqui é uma casa de recuperação.

Irmão Ricardo - É uma casa que trabalha com a restauração de pessoas que se encontram no vício do álcool e das drogas.

Milênio Vip - Há quanto tempo vêm desenvolvendo este trabalho?

Estamos aqui há sete anos, mas a comunidade já existe há treze anos. Nós nascemos na Diocese do Rio de Janeiro, no bairro de Olaria, na paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

Milênio Vip - Como vieram para cá?

Irmão Ricardo - Nossa vinda pra cá é uma estória de muita dor. Nós tínhamos uma casa em Olaria, mudamos para uma maior em Ramos e, com o tempo, o aluguel ficou muito caro. Chegamos a ficar devendo, fomos despejados e então fomos parar em Trajano de Moraes, no bairro de Tirol. De lá também fomos despejados, e nos emprestaram uma fazenda da qual cuidamos, construímos capela, reformamos a casa, plantamos milho, feijão, tomate e, quando estava perto da colheita, o dono (que havia emprestado) falou que tínhamos uma semana para sair de lá.

Então o juiz Luiz Carlos Velozo, Diácono da Igreja Católica no Rio de Janeiro, que tinha este sítio em que estamos hoje, ao saber da situação difícil, nos fez uma proposta. Aí eu brinquei com ele, que parecia não estar entendendo, pois estávamos sendo despejados! Mas ele já tinha emprestado o sítio para nós, para a realização de um retiro e, já que o estava vendendo, nos propôs ficar por três meses, nesse tempo levantar um valor como entrada e pagar o restante em quarenta prestações, sem juros. E viemos, com a cara e com a coragem. Por aonde íamos pedíamos doações e ganhamos muitos porquinhos daqueles de barro que as pessoas tinham em casa. Lembro que quando fomos trocar, no banco, levamos quase tudo em moedas! Imagina a cara do pessoal do banco, para contar todas as moedas... Mas era o que tínhamos.  Depois uma senhora nos doou a quantia que faltava e demos a entrada. As mensalidades foram a manifestação de Deus, de alguma forma. Foram alguns italianos que acolhemos aqui, outras pessoas que nos ajudaram, alguns ministérios de música da Igreja Católica nos cederam suas músicas para gravarmos e fazer um CD e, com a gravação do CD conseguimos quitar.  Para você ter uma idéia, parecia impossível conseguir pagar a mensalidade e fazer a manutenção do sítio, que é cara, no prazo de 40 meses. No entanto, quando faltavam dois anos pra terminar o prazo nós já tínhamos quitado a dívida, pago todas as prestações. Foi a manifestação de Deus a cada mês, através de pessoas amigas que nos ajudavam, que fez com que conseguíssemos.

Milênio Vip - De que a comunidade sobrevive hoje?

Irmão Ricardo - Nós vivemos de doações, da ajuda de familiares dos que estão acolhidos, e temos nossos produtos: CD’s de pregação de sacerdotes amigos nossos que permitiram que gravássemos suas pregações para comercializar - inclusive o Padre Alan, de Magé, e o Padre Walney.

Milênio Vip - Então se as pessoas quiserem doar, basta procura o Padre Alan? Eu não o conheço pessoalmente, mas sei que ele é uma pessoa bastante querida na cidade.

Irmão Ricardo - Pode procurar o Padre Alan que ele vai fazer chegar até nós, com certeza.