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"Magé está no caminho certo", afirma especialista em Educação.

Publicado na edição 140 de Maio de 2014

Esther Pillar Grossi é mentora do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (GEEMPA), que implementa técnicas para reduzir os índices de analfabetismo através do Programa de Correção de Fluxo Escolar.
Educadora-doutora, pesquisadora e consultora do Ministério da Educação, ela veio pela segunda vez em Magé para a formação de docentes que atuam na rede municipal de ensino. A qualificação tem como objetivo principal preparar e estimular os  profissionais para ajudarem os alunos que avançaram nas classes escolares, mas ainda não sabem ler nem escrever, ajudando também, no combate à evasão escolar.
Com o carinho e dedicação pela missão de ser professora que exerce desde 1963, Esther conta sobre a iniciativa e os resultados desses esforços.



Sua especialização foi em matemática, mas a questão da alfabetização foi uma identificação que surgiu no período final da ditadura, quando você pôde trabalhar com classes populares. Daquele tempo para cá, os índices de analfabetismo ainda são alarmantes?
Infelizmente são. No Brasil e no mundo ainda existem muitas pessoas nesta condição. São 15 milhões de analfabetos no país e 35 milhões de pessoas analfabetas funcionais, ou seja, que sabem contar dinheiro e escrever o próprio nome, por exemplo, mas quando precisam preencher uma ficha, sentem muita dificuldade. Por isso o meu entusiasmo em trabalhar pela erradicação do analfabetismo, para dar dignidade à elas.
Vygotzky [especialista bielo-russo em psicologia pedagógica] já dizia que o processo é igual. E usamos técnicas que servem tanto para crianças quanto adultos.


Com o trabalho realizado pelo GEEMPA e o programa de fluxo de correção, qual a sua análise sobre os resultados?

No primeiro ano, a melhora desses alunos já foi de 60%, no segundo 64%, e no terceiro 78%. Os resultados são visíveis a medida que vão aprendendo, e agora estão acima dos 80%.

O que me preocupa é que há uma rotatividade muito grande de profissionais, que se capacitam e depois não permanecem no programa.

Realmente o programa é fantástico e ele permite que a gente vença essa questão. O que animador é que estou vendo aqui, em Magé, muitos professores interessados.

 
Acompanhando as discussões dos grupos em Magé, como avalia o senso de diagnóstico dos profissionais de educação que atuam na rede de ensino?
Ano passado os resultados não foram animadores porque houve um problema no processo. A interrupção do programa durante as férias criou um déficit. Magé tem tudo para dar certo, o importante é que se formem grupos de estudo para manter trabalho. Eles tiveram boa capacidade de captação das ideias apresentadas nos textos e boa argumentação nas discussões .

 
A senhora fala em provocação, como estímulo, para despertar o aprendizado. O que seria esse estímulo, na prática da sala de aula?

Nós realmente fazemos o trabalho a partir dos aspectos que significam para os alunos, a Copa do Mundo é um exemplo. Todos estarão envolvidos e torcendo, outros recursos que a gente trabalha são os jogos.

Eles rendem de forma excelente pois estimulam o espírito de competição e importância da participação, cumprindo o dito popular: "o importante é competir".


Os pais podem ajudar esse processo do programa de correção de fluxo? Qual sua indicação para que eles colaborem?

Na verdade eles não podem. É como um  remédio, os pais tem que compreender que precisam ser parceiros e apoiar o processo, mas ele acontece na escola. É muito diferente do tradicional, o estímulo é para que os alunos façam as tarefas sozinhos.


Sua mensagem aos profissionais da educação:

Minha mensagem é de otimismo, que todos podem ter a alegria de ensinar porque todos têm condições de aprender, e resgatar autoestima desses alunos.