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Corpo de Bombeiros - Cel. Alex Borges passa o comando para Cel. Vitor Silva

Publicado na edição 109 de Fevereiro de 2011

Como todos sabem, hoje e o dia da minha partida e, infelizmente, estou me despedindo de vocês: Oficiais, Praças, empresários, homens públicos, população de Mage e Guapimirim. Assim, poderia ate dizer que não só a sabem, bem como estão vibrando com esta despedida, que digam os não flamenguistas que ficarão livre de mim nas segundas, mas eu tenho tel dos senhores. rsrs

Bem, senhores e senhoras, há dois anos, no dia 09 de fev de 2009, às 14 h, nascia neste pátio o Ten Cel Alex Borges – Cmt do 2 GSFMA -, o qual era entregue a sua nova família: Oficias, Praças e empresários da região.
Como já citamos o Parto, que o defina, a fim de que possamos entender a dimensão deste parto acontecido na data supracitada, a saber:

“Parto: nome masculino; ato ou efeito de parir, de dar à luz; conjunto de fenômenos fisiológicos que resultam na saída do feto do corpo materno; parturiação; processo de criação e produção.”
Buarque de Holanda.

Assim, este conjunto de fenômenos acontecia neste pátio. Assistia-se a expelicao do feto do útero lugar seguro, aprazível, confortante – quartel do comando geral – para a vida, a realidade das dificuldades e escassez de recursos – o 2 GSFMA.

Como um recém nato, fui recebido e acolhido com muita desconfiança, pois nada sabiam do novo integrante da família que acabava de chegar. Confesso que para mim o sentimento também era estranho, pois me apresentava a uma Unidade a qual não queria servir e, sobre a qual tive as mais das contraditórias informações: de um lado o Cel Valdinei, que tecia elogios; de outro lado informações que davam conta de que o grupamento era só problemas.
Ufaa!!! Tudo era muito novo para mim, bem como ameaçador. Assim, fui entregue aos senhores – minha nova família-.

Éh!!! Aquele recém nato foi crescendo ao longo destes dois anos, acertando, errando, amando, sendo amado e, acima de tudo, fazendo as pessoas ao seu redor felizes.

Exatamente como uma criança, essa família não só me acolheu, mas principalmente, fez-me crescer como pessoa, ser humano e profissional, além, evidentemente, de mostra-me realidades antagônicas as que conhecia.

Assim, vivi experiência nunca dante experimentadas paradoxalmente, mas genuinamente verdadeiramente: ri e chorei; amei e fui amado e, objetivamente fui feliz.

Minha família Floresta, voluntários da morte na pazl!! Aprendi, e que se diga: aprendi muito mais do que ensinei, afinal o infante aqui era eu e, não vocês – meus irmãos e pais. Assim, no decorrer destes dois anos, esta família mostrou e ensinou-me, mesmo que inconscientemente, a enxergar um novo mundo.

Outrossim, posso dizer que tal como um filho que deixa a casa dos pais para encarar a vida, hoje saio daqui mais preparado para os novos  desafios que virão, justamente devido as experiências vivenciadas no 2 GSFMA.

E com sentimentos dicotômicos, justamente por ter edificado laços fraternais envoltos pelo amor, que o substantivo parto transforma-se no verbo conjugado na 1 pessoa do singular.

PARTO!!! Parto do 2 GSFMA, com sentimentos embeberados pela emoção da tristeza de ter que deixar amigos que se tornaram verdadeiros irmãos para mim, bem como senhores que tornaram pais para mim, apesar de já ter meu verdadeiro pai falecido. Ao mesmo tempo, parto com a cabeça erguida pelo sentimento de ter ido alem do dever a ser cumprido.

Obrigados meus pais e irmãos, por terem me ajudado incondicional e inconscientemente a comandar a Unidade, buscando e conseguindo recursos, viaturas e materiais operacionais, participando de operações e da administração e, porque não, também metendo literalmente a mão na lama, nos escombros e massa.

Que o digam aqueles que buscaram na ilha Grande, no Bumba, Na região Serrana, Haiti, Malawi – África-, que assentaram pisos, embocaram paredes, viraram lajes, consertaram viaturas, para que no final das contas o 2 GSFMA alçasse o lugar que sempre deveria ter sido seu na Corporação e na sociedade.

Bem, sinteticamente conseguimos o nosso objetivo norteador do plano de comando: fazer o 2 GSFMA ocupar um espaço relevante dentro da Corporação, bem como junto a população de Mage e Guapi, transformando-o num quartel verdadeiramente respeitado de bombeiros e para os bombeiros.

Justamente devido a vocês, hoje temos um socorro com viaturas novas de alto poder operacional, instalações invejáveis dentro da Corporação e, somos uma referencia na nobre arte de salvar dentro do CBMERJ, sendo considerados como uma tropa de apoio incansável, bem preparada operacional e tecnicamente, que de fato chega para ajudar a salvar e operar.

Nesse sentido, seria completamente injusto nominar todos, os soldados do fogo valentes, para agradecer, pois levaria muito tempo e provavelmente esqueceria alguns nomes, o que seria uma grande injustiça.

Assim, tenho a obrigação de agradecer-lhes, por terem, não somente ajudado o Grupamento e a população em cada salvamento efetuado por vocês, bem como me ajudado sem saber a mudar a minha vida pessoal e, assim encontrar a felicidade, que e o maior objetivo da nossa vida.

Revelo-vos que fui muito feliz no grupamento e sentirei muita, mas muita falta da lealdade, empenho, honradez, honestidade e, principalmente da amizade de vocês, muitas das vezes chegava triste ao Grupamento, mas as brincadeiras faziam-se sair daqui outra pessoa.

De fato hoje sairei daqui outra pessoa meus amigos e pais, um ser humano melhor, feliz e ao mesmo tempo triste por ter que me afastar de vocês, mas vou embora com a cabeça erguida sapiente de que fui alem do que a conjuntura social e política me permitiam afinal o que mais vale não e o que edifiquei concreta, mas sim abstratamente – o amor fraternal que consegui de vocês. Este marcara eternamente a minha vida e carreira.

Infelizmente senhores devido ao Curso Superior de Comando eu parto para mais uma nova fase na minha carreira. Assim, espero capacitar-me mais ainda, para que assim eu posso me tornar um comandante melhora ainda e, não cometa os erros que cometi junto aos senhores.

Tenham a plena certeza que mesmo distante estarei sempre perto de vocês meus amigos, pois o elo que nos une, não e da subordinação e sim da amizade, simplicidade e respeito...

Ao meu sucessor – TC Vitor Silva – desejo e peco vigorosamente a Deus que você consiga fazer com que este Grupamento cresça mais ainda, pois ele merece justamente pelos bombeiros honrados que comandaras e, que você seja tão ou mais feliz do que eu fui aqui.

Esta foi a única Unidade que eu não escolhi servir na minha carreira, aqui fui classificado e hoje digo, seguramente, que foi a Unidade em que eu fui mais feliz em toda a minha carreira. Parafraseando Nelson Rodrigues: saio de Magé, mas Magé nunca sairá de dentro de mim.

Vitor!!! Os desafios serão grandes: a falta de efetivo; mais melhorias a serem feitas nas instalações e nas operações com cães e florestais; a administração de 18 viaturas; escalas extras e de serviço; dengue, arc, samu, etc etc...Bem, agora o funcional e seu rsrs...

Seja Feliz e que você consiga amar o grupamento tanto quanto os últimos comandantes apreenderam, nuca se esqueça da essência de ser bombeiro, sendo um guerreiro da paz na sagrada missão, sem dar um passo atrás, tendo em mente o forte ideal de vida alheia e riquezas salvar.

Ressalto que como comandante deveras ser o melhor Bombeiro do quartel, pois antes de o ser perante a população o será dos seus soldados do fogo valentes, ajudando-os, dando-lhes atenção, brigando e reivindicando por eles e, tudo isso com um amor incondicional, apenas pelo prazer singelo de fazer o bem pelo bem sem olhar a quem.

Ufaaa, que discurso que não finda e, tanto se repete as palavras agradecer e partir com as suas variações rsrsrs. Assim, pela penúltima vez hoje ouvirão a palavra partir ao termino do poema de Camões sobre a partida, a seguir:

  A HORA DA PARTIDA

Um dia todos nós partiremos
para algum lugar...

Aqui ficarão, apenas, as lembranças
das nossas boas ações,
dos nossos sorrisos, da nossa alegria...

Quando chega a hora da partida
é porque a nossa missão está cumprida

Triste, e até certo ponto conflitante,
é não nos permitindo concluir uma
série de projetos idealizados

Muitas coisas ficam inacabadas:
Um gesto de amor,
Um abraço apertado,
Um sorriso de alegria,
Uma lágrima de saudade,
Um muito obrigado,

Embarco nesta partida
e sei, também, que não terei tempo
para despedir-me das coisas e
das pessoas que eu tanto aprendi a amar...



Sabendo disso, peço,
a todos que forem indagados sobre mim,
que digam que eu amei,
sorri, sofri, chorei,
encantei-me com vida,
fui feliz e nunca desisti de viver

Sei que lembranças de mim ficarão
eternizadas em alguns corações
em forma de saudades

Mas saibam que, lá em minha nova morada,
também conviverei com as saudades
e estarei torcendo para cada um de vocês

Agora, como a minha ultima palavra oficial como Comandante do 2 GSFMA a digo a tropa: PARTO.