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Entrevista exclusiva com o prefeito de Magé, Nestor Vidal (Balanço 3 anos de governo)

Publicado na edição 145 de Outubro de 2014

O prefeito de Magé, Nestor Vidal, não abre mão do único reconhecimento que pretende conservar em sua biografia, quando deixar o cargo ao qual está à frente há três anos: "Quero, ao lado dos meus companheiros, olhar para trás, perceber o avanço que o município conquistou com o nosso trabalho e dizer: Valeu a pena!" Um ferrenho defensor da legalidade e rigor com as contas públicas, Nestor observa que hoje a população cobra as ações de seu governo como jamais cobrara de outros prefeitos ou políticos. "Eles respiram liberdade, têm o direito de se manifestar. Durante muito tempo esse povo foi ameaçado, intimidado. Em minha campanha, as pessoas se escondiam atrás dos muros, com medo de serem filmadas pelos meus adversários apertando a minha mão. Tínhamos um histórico de assassinatos e corrupção na política", lembra. Ciente de que não poderá atender a todas as necessidades da população até o fim do seu mandato, Nestor investe e mantém o foco nas prioridades: apresenta melhorias nas áreas de saúde, educação e infraestrutura da cidade. "São obras que não são feitas há mais de 40 anos", ressalta.

Jornal Milênio - Em agosto o senhor completou três anos à frente da prefeitura. Como foi assumir a Prefeitura de Magé após um período turbulento na política da cidade?
NESTOR - Como qualquer mageense, ao assumir, sabia que o município encontrava-se em uma situação lastimável. Era um clima de instabilidade política, com prefeitos deixando o cargo no meio do mandato, sendo cassados, histórias de assassinatos, e a gestão pública sempre em segundo plano. Uma instabilidade funcional também muito grande, com serviços prestados à população sem os critérios mínimos aceitáveis. Foi uma tarefa muito difícil, que exigiu um trabalho acima do normal. Colocar o município dentro da legalidade, reestruturar a saúde, a educação, são tarefas difíceis. Não se faz de uma hora para outra, assinando leis. É preciso investir na capacitação, montar um quadro com bons profissionais. Na saúde, por exemplo, que enfrenta dificuldades no país inteiro, enfrentamos muitos problemas. Hoje, com a UPA, a policlínica, a reforma dos hospitais e com a reconstituição da equipe médica, a população de Magé começa a sentir melhorias consistentes. Na educação, com a melhoria salarial das equipes, os profissionais trabalham com mais satisfação, as equipes estão completas, existe uma programação e um planejamento que inclui a melhoria do aprendizado do aluno, investimento maciço na merenda - que é um fator que fixa a criança no colégio. Tudo isso dentro da legalidade. Nós, cidadãos mageenses, temos muita vergonha de quando a gente tinha uma exposição do nosso município nas páginas dos jornais, de assassinatos, de corrupção, de prisões. Sofremos muito. E isso vai ficar no nosso DNA durante muitos anos. Por isso, temos que permanecer com esse propósito de colocar na política, de apostar naqueles governantes que tem o princípio da legalidade, da moralidade. E penso que isso não pode ser mais negociado. Quando se aproximam os momentos eleitorais a gente vê surgir pessoas que passaram por aqui e deixaram marcas negativas que nunca mais podemos permitir. Mas isso é sempre a vontade do povo. O povo, em um sistema democrático, se manifesta. E a gente tem a obrigação de mostrar e apresentar à população caminhos diferentes daqueles equivocados que foram trilhados no passado.

Jornal Milênio - A população mostra que confia na sua administração, cobram, sabem que terão uma resposta, uma ação do governo?

NESTOR - Eu percebo que sim. As pessoas sabem que sou administrador e que trabalhei durante muito tempo na área de saúde. Na medicina se fala muito em "efeito rebote" de um medicamento. A população vive esse momento hoje (aumento da cobrança pela expectativa de resultado). Porque, de uma hora para outra, no momento em que se tem a liberdade de se expressar, de reivindicar, de falar, as pessoas começam a exigir a solução de todos os problemas numa hora só. E, sinceramente, nós não seremos capazes de resolver todos os problemas. Possivelmente, outros prefeitos deverão dar continuidade à construção do nosso município. Eu não tenho a pretensão de solucionar tudo. Mas tem que se manter a esperança do povo e não permitir que a ilegalidade se estabeleça novamente no município. Durante a minha caminhada, em campanha, uma coisa gritante era o pedido das pessoas pela troca da Alfa Rodobus. A empresa de ônibus prestava um serviço de péssima qualidade, com veículos quebrados e mal conservados. Hoje, temos um número suficiente de ônibus, atendemos a população em locais que ônibus não entravam. Também havia um problema sério no primeiro distrito, que era a falta de água. A situação melhorou bastante porque fomos ao estado e retomamos a obra na Barbuda, que ainda está em fase de conclusão, mas já constitui uma melhora significativa. O outro ponto que toda a população reclamava em Magé era dos valores do IPTU. Estava todo mundo devendo porque o valor se tornou inviável para qualquer pessoa comprar um imóvel aqui, principalmente as de baixa renda. Nós conseguimos, através de lei, diminuir esses valores, retornando aos valores anteriores. Em alguns casos foram reduzidos em mais de 1.000%. Outra reclamação grande era a falta de concurso público para os funcionários. Fizemos o edital, dentro da legalidade, chamamos 4.029 servidores e colocamos para trabalhar. O que acontecia antes: quando as pessoas não eram concursadas, nessas ocasiões políticas, era um exército que ia para as ruas pedir votos para os candidatos dos políticos da casa. Eles tinham o domínio dessa situação. Nosso objetivo é investir no servidor. Vamos inaugurar, agora, o centro de capacitação para o funcionário público. Vale a pena investir na capacitação. A gente sai e o funcionário fica aqui tendo aquela missão de atender bem o público.

Jornal Milênio - É com esse propósito de qualificação que o senhor valoriza a iniciativa de avanço do Pronatec na cidade?
NESTOR - Se nós conseguirmos trazer as empresas para que invistam em Magé, vamos precisar de profissionais qualificados para trabalhar. Então, nós procuramos os governos federal e do estado, trouxemos dois CVTs (Centro Vocacional Tecnológico), duas unidades do Pronatec, também para qualificar junto com a Firjan, e estamos conseguindo qualificar um número enorme de pessoas em Magé. Eles saem dos cursos com empregos até nos municípios vizinhos. A qualificação é uma meta que nós não devemos nos distanciar nunca. Agora, com início da obra de duplicação da Rodovia BR-493, as empresas vão ter que se instalar aqui. Magé é um local que dispõe de terrenos adequados para que, no entorno dessa via, se estabeleçam as empresas de transformação. Perto do Comperj tem muita área de proteção ambiental. Aqui, em Magé, será o lugar que as empresas vão procurar para se estabelecer. E precisamos ter os trabalhadores preparados. Isso é uma meta que temos que ampliar a cada dia. Com isso, vamos ter o trabalho e fixar o trabalhador em Magé.

Jornal Milênio - Qual sua avaliação dos investimentos feitos na educação?
NESTOR - A educação tem demonstrado um avanço que tem me deixado muito contente. A secretaria de Educação trabalha em cima de metas e, em nossas reuniões, sempre falamos da importância de nos colocarmos, em nível estadual e nacional, com uma educação significativa. Os momentos políticos que passamos, deixaram a educação em segundo plano. A saída de Magé está na educação. Eu tenho uma esperança muito grande de que o governo federal aumente a verba da educação para que a gente qualifique melhor os professores e faça com que o aluno fique mais tempo em sala de aula. Para melhorar as instalações das escolas, tivemos que entrar muito pesado. Encontramos colégios em péssimo estado. Hoje, temos 100 colégios. Para você fazer a reforma de todos eles, reestruturar, é uma coisa que leva tempo. Um ponto a ser destacado aí é que a gente tem uma demanda ainda muito grande por creches. Queremos fazer, no mínimo, mais umas oito creches. Temos cinco em obras.

- Como está a saúde em Magé?
NESTOR - A saúde de Magé é algo muito complexo. Em relação aos PSFs, nós temos um trabalho muito grande de conscientização da população e de reorganização. PSF é o Programa de Saúde da Família, e que tem uma formação, pelo governo federal , pelo Ministério da Saúde, em que o médico é formado em programa de saúde da família. Ou seja, deve ser um generalista. Não cabe aos PSFs, pela lei federal, ter médicos especialistas. E nós encontramos em Magé muitos PSFs com especialistas. A população até gostava, mas era ilegal pela determinação federal. Mudança como essas às vezes provoca um desgaste com a população. Eu não tenho que ter em cada PSF um cardiologista, um obstetra, um dermatologista, um endocrinologista. Para isso tem que ter os ambulatórios de especialidades. O atendimento no PSF, com um generalista, resolve 80% ou mais dos problemas. Quando ele acha que o caso merece um especialista, ele manda para um centro de referência. Mas estamos conseguindo melhorar nossas unidades ambulatoriais e reformar nossos hospitais. O que a gente objetiva, em 2015, é resolver questões de média complexidade também aqui no município. São cirurgias de urologia, próstata, catarata, hérnia, vesícula, fístula que, se a gente fizer aqui, estaremos resolvendo 90% dos problemas de Magé. Uma coisa que temos que comemorar, na área de saúde, é que fomos referência no combate à dengue. Não houve registro de casos. Para nós é uma grande conquista, já que, no passado, fomos considerados um dos municípios com o maior número de ocorrências no estado.

Jornal Milênio - 
Em relação às obras na cidade. Como estão os cronogramas?
NESTOR - Numa pesquisa que fizemos, recentemente, a saúde sempre está em primeiro lugar. Saúde tem sido um fator nacional, em qualquer município, de reclamação. Não é diferente em Magé. Mas nós estamos alertas a esse fato. Em relação as obras de Magé, é outra situação em que acho que quando sairmos teremos feitos 10% das obras significativas da cidade. Magé é um município que ficou durante muito tempo esquecido das obras fundamentais. Embora a gente tenha feito muitas obras, eu preciso de projetos do estado como por exemplo o Bairro Novo, que já atendeu algumas comunidades, mas que precisa atingir outros locais onde as pessoas ainda sujam os pés ao saírem para trabalhar. Nós estamos atrás de uma verba do Ministério das Cidades para tentar o saneamento do Rio Roncador. É um rio vital para a gente, que corta Andorinhas, Santo Aleixo, Magé, até chegar a Baía de Guanabara. O esgoto é jogado in natura no rio. E é o rio em que em alguns lugares a gente capta água. Então, eu estou prestes a conseguir um recurso a fundo perdido para fazer o saneamento desse rio. E que, possivelmente, só deve ser concluído depois que eu sair. Uma verba de quase R$ 140 milhões. Então, na questão de obras, o que a gente tem feito é apagar incêndios. Em todos os lugares, em todos os distrito, têm obras. Mas todos os locais precisam de mais. Então, vamos continuar priorizando drenagem, pavimentação, fazer calçadas para as pessoas, privilegiar o pedestre. São ações que valorizam o cidadão, valorizam as pessoas com deficiência física. Isso é um movimento no mundo, que prioriza os valores do cidadão. Estamos fazendo obras que não foram feitas em mais de 40 anos. A Rua Santa Elisa, por exemplo, em Piabetá, enchia. Aí quando a gente faz a obra, cria uma ciclofaixa, dá uma organizada, vira um centro urbano organizado. As pessoas que vêm nos visitar, percebem que o município está mais arejado. As pessoas estão andando mais nas ruas, os carros estão parando nas faixas. Estamos arborizando a cidade, para que não seja aquele município sujo, feio. Não tinham cuidado com a limpeza pública. Mas nós temos uma dívida ainda nas partes mais afastadas do nosso centro urbano, e eu pretendo focar todo o meu esforço para dar um alívio também nas áreas periféricas, como Barbuda, Vila Esperança, Granja Santa Teresa, Jardim Novo Horizonte, ao lado da linha do trem lá em Piabetá, onde estamos pintando, limpando, plantando, fazendo calçadas e ciclovias. Aos poucos vamos mostrando aos cidadãos mageenses que estamos mudando a cara do nosso município.

Jornal Milênio - Algumas mudanças significativas: as obras na Dr. Siqueira, na Rua Santa Elisa, a mudança de local da feira de Piabetá, além da construção do Mercado Popular. O foco é ordenamento e um novo conceito de urbanização da cidade?
NESTOR - A Dr. Siqueira, por exemplo, ninguém sabia se era uma rua de carros, de pedestres ou de camelôs. Não era nada. Era uma bagunça generalizada. A obra transformou o calçadão num passeio público agradável, iluminado, você vê as pessoas circulando até altas horas da noite. São medidas que estamos tomando de forma ativa. A mudança na feira de Piabetá gerou alguma polêmica, mas hoje, moradores, feirantes e comerciantes se dizem satisfeitos com a mudança. Os camelôs, aqui no Centro, estão sendo cadastrados e terão um espaço adequado, que é o Mercado Popular, que estamos construindo junto com um bicicletário. É um modelo de organização urbana que vamos levar para Piabetá e outros lugares. Isso, certamente, vai trazer uma qualidade de vida bem melhor para todos. Eu sei que exigir ordem urbana provoca um desgaste pessoal, político. Mas não abro mão de agir na legalidade, com respeito ao cidadão. Não negociamos isso em troca de voto.