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Wilson Abreu Costa (12/10/1953 – 16/10/2014)

Publicado na edição 146 de Novembro de 2014

Família grande, nove crianças para criar num tempo difícil. Depois da separação, sua mãe – a doce Dona Milica – lavava roupa para arcar com as despesas e, desde aí, as crianças maiores já ajudavam. Carregar sacos de farinha para abastecer caminhões era tarefa pesada para um menino. Não foi fácil. Com um caixotinho de madeira, engraxou sapatos na rodoviária. Picolé e mariola também foram vendidos no trem para alimentar os irmãos mais novos. 

A vida dura o magoou, calejou a alma... Mas também despertou um espírito de superação invencível, incansável. A tentativa de ganhar a vida em São Paulo como ajudante de pedreiro foi frustrada. As condições eram sub-humanas. Voltou para o Rio. Sempre trabalhando e estudando, teve enfim o seu esforço recompensado. Destacou-se pela competência, retidão, honestidade e vontade de aprender cada vez mais. Assumiu maiores responsabilidades e ganhou a confiança dos patrões, que mais tarde viriam a ser seus clientes.

Amou. Casou. Então decidiu dar um passo adiante. Quis ganhar liberdade, autonomia e, enfim, abriu seu próprio escritório contábil. Naquela época vieram as filhas e, com isso, aumentou a vontade de vencer, agora, por elas, às quais nunca deixou que faltasse nada e dedicou valorosos ensinamentos a respeito de caráter, dignidade, mérito e independência. Veio o primeiro divórcio. Foi então que iniciou um movimento na comunidade em que vivia: o Mundo Novo, onde, com queridos amigos, transformou o simples bloco carnavalesco em escola de samba, que fez a alegria de muitos carnavais em nossa cidade. Naquele momento, se deu conta de que não era mais um na multidão e que tinha determinação e coragem para fazer as ideias acontecerem. Veio o segundo divórcio.

Determinado e obstinado, reconhecido profissionalmente na sua região, aprimorou seus conhecimentos profissionais, comprometendo muitas noites de sono. Decidiu... Persistiu... Muitas vezes intransigente e rigoroso consigo e com os outros, despertou ressentimentos, mas também admiração dentro dos mesmos corações. Ganhou notoriedade graças a um trabalho sério e a seu caráter honrado e idôneo.

Exigindo muito do corpo e deixando os cuidados com a saúde – já bem debilitada pelo diabetes – em segundo plano, entrou num ciclo de degradação física irreversível que culminou na sua partida para outra frequência, agora junto de Deus, nosso Criador.

“Wilson”, “Wilsinho”, “tio careca”, “meu pai”, ou seja lá como tenha sido conhecido por aqui,  partiu e deixou uma sensação de irreparável perda e infinita saudade. É – pois acreditamos na eternidade da alma – um homem vitorioso, que nessa vida ousou realizar os seus sonhos, indo na contramão das probabilidades. Deixou, entre tantos outros, um legado profissional tão bem estruturado: o Escritório Contábil Wilson de Abreu Costa, que terá continuidade com suas sucessoras, colaboradores e clientes.  Fez a diferença na vida das pessoas com quem conviveu, demonstrando o altruísmo ensinado por Jesus, praticando a bondade e a caridade com os que mais precisavam. Nós, amigos e familiares, que tivemos a oportunidade de demonstrar com atitudes, mas muitas vezes não com palavras, o nosso apreço, deixamos aqui toda a nossa gratidão e amor. Não tivemos a chance de nos despedir. Fomos enganados pelo coração, que nos dizia que voltaria mais uma vez para casa. Na certeza absoluta de que essas palavras chegarão até você, enfim, o nosso adeus. Que Deus o abençoe e ilumine o seu novo caminho e que você esteja sendo acolhido por Deus, Nossa Senhora e pelos Santos Anjos do Senhor.

Pai

Pode ser que daqui algum tempo

Haja tempo pra gente ser mais

Muito mais que dois grandes amigos

Pai e filho talvez

Pai

Pode ser que daí você sinta

Qualquer coisa entre esses 20 ou 30

Longos anos em busca de paz

Pai

Pode crer eu tô bem, eu vou indo

Tô tentando vivendo e pedindo

Com loucura pra você renascer

Pai

Eu não faço questão de ser tudo

Só não quero e não vou ficar mudo

Pra falar de amor pra você

Pai

Senta aqui que o jantar tá mesa

Fala um pouco tua voz tá tão presa

Nos ensina esse jogo da vida

Onde vida só paga pra ver

Pai

Me perdoa essa insegurança

É que eu não sou mais aquela criança

Que um dia morrendo de medo

Nos seus braços você fez segredo

Nos seus passos você foi mais eu

Pai

Eu cresci e não houve outro jeito

Quero só recostar no teu peito

Pra pedir pra você ir lá em casa

E brincar de vovô com meu filho

No tapete da sala de estar

Pai

Você foi meu herói, meu bandido

Hoje é mais muito mais que um amigo

Nem você, nem ninguém tá sozinho

Você faz parte desse caminho

Que hoje eu sigo em paz


Pai

(Fábio Jr.)

 

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