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Entrevista com o prefeito Nestor Vidal - Parte 1

Publicado na edição 150 de Junho de 2015

1ª parte

Agora em agosto estaremos completando quatro anos da gestão de Nestor Vidal em Magé. 

Nós entramos naquele período conturbado em que a prefeita foi cassada, entrou o vice-prefeito, depois o presidente da Câmara, que era o irmão da prefeita. Aí houve a eleição e ficamos por um ano e oito meses. Depois teve a reeleição e fomos eleitos com uma votação histórica no Brasil. 

Nas duas campanhas a gente focalizou no que a população nos pedia naquele momento, quando íamos para a rua pedir votos. O povo, muito amargurado e com medo, porque Magé tinha um histórico de muitos assassinatos e as pessoas que se candidatavam eram ameaçadas. A gente via o clamor da população em coisas que nós procuramos atender de imediato. O que fizemos até agora foi uma gestão contemplando aqueles pedidos iniciais, pedidos comuns a todos os distritos de Magé.

Quais as principais queixas prefeito? 

Uma que chamou a atenção era a questão da Alfa Rodobus. Os ônibus não chegavam aos lugares, eram poucos, quebrados, os motoristas não eram qualificados. As pessoas ficavam nos distritos, tinham dificuldade de locomoção. Nós tomamos atitude para substituir aquela empresa e hoje Magé é muito mais contemplada em relação a transporte urbano municipal. Isso já é um ganho. 

Outra coisa que todo mundo pedia aonde íamos era para fazer concurso público.  Nós fizemos. Foi um sucesso com relação ao número de pessoas que participaram do concurso. E nós demos posse, ocupando todas as vagas divulgadas na publicação. O concurso público vai impactar diretamente na qualificação do profissional e na melhoria do ensino de Magé, porque quando um funcionalismo público, efetivo, pode focar na Educação e não saia, como era o costume na Educação de Magé, para fazer campanha política, já que todos eram contratados e ameaçados com a perda do emprego. Terminavam um dia de aula e tinham que pegar ônibus para ir bater palma para maluco, em outro distrito. 

Nós acreditamos que agora, com o centro de capacitação que está tendo sua obra iniciada, visando a qualificação dos professores, a educação de Magé vai dar um salto significativo. Porque não é a edificação que dá qualidade ao ensino. A edificação é importante, mas o principal é investir no professor, no educador. A semente da evolução na Educação foi plantada no momento em que foi feito o concurso. E agora vai ser concretizada com o Centro de Capacitação do professor e, possivelmente, de todos os servidores públicos de Magé. 

A outra reclamação, comum em todos os lugares, era: “Prefeito, nós não aguentamos pagar o IPTU de Magé. O IPTU está em valores impagáveis, não é possível pagar isso.” Então fizemos um projeto de lei e, assim que assumimos, mandamos para a Câmara e reduzimos o IPTU. Em alguns casos, em até 1000%. Houve pessoas que receberam dinheiro de volta. 

Outra grande reclamação era sobre bailes, barulho, falta de ordenamento público, falta de lei. Eu estou reorganizando os centros urbanos, contemplando a mobilidade rural, o passeio público, vendo com atenção a questão dos camelôs. Porque não somos contra o camelô, somos contra ele impedir a pessoa de passar pela calçada. Por isso fizemos centros, em alguns locais, para que os camelôs pudessem estar no lugar, mas que o passeio público, a calçada e a praça estejam livres para circulação das pessoas. 

Outro motivo de muita reclamação eram os quiosques espalhados, que às vezes têm uma finalidade diferente da idealizada pelo gestor público. Ocupam uma praça e ficam sendo referência para tudo o que é ruim. Então estamos pegando isso para ordenar. É preciso ser um município ordeiro, bonito e que cumpra a lei.

E Magé precisa ser um município limpo. Havia reclamações sobre o lixão de Bongaba: o cheiro na rua, urubus andando. Eu tive coragem e tirei, proibi que viesse aquela procissão de caminhões de outros municípios trazendo lixo para cá. Hoje o lixo de Magé é levado para outro município, não tem mais o mau odor quando se passa em Bongaba e não tem mais urubus ali. Pessoas e gestores passados diziam que aquilo foi um grande ganho para Magé - não sei como. Tivemos determinação para mudar, porque Magé não pode ser referência nisso. 

Fizemos parceria com o Governo do Estado para trazer dois CVTs para cá. Na época, fui pessoalmente falar com o governador Sérgio Cabral para trazer a UPA. Ele veio e inaugurou a UPA, o que aumentou a oferta de médicos no município. Eu fiz questão de que fosse do Estado para evitar o repasse de verba, que traria o problema de licitar, contratar. Então a UPA daqui é diferente de muitas do interior do Estado, não é do município, eu não recebo nada. Ela está lá, atende, dá remédio, faz exame e administra. Eu não tenho esse ônus. E revitalizamos a Policlínica de Santo Aleixo, que estava abandonada há mais de vinte anos. As pessoas de Santo Aleixo tinham que sair de lá para uma simples internação de dois, três dias. Hoje em dia está funcionando, já é referência para as UPAs, para internar pacientes aqui. 

Também melhoramos o salário dos médicos. Houve um grande aumento na saída de médicos em todos os municípios, hoje você liga a televisão, a qualquer hora, e é só problema na área da Saúde. Falta de médicos, de profissionais, disso, daquilo. Apesar de termos problemas, nós conseguimos manter Magé fora dessa situação. Magé é parte da região que melhor paga aos médicos, com muito custo. Tivemos que substituir alguns porque insistiam em não chegar na hora, em sair antes da hora. Fixar um médico em Magé é muito difícil. Tivemos que assumir alguns PSFs para colocar médico generalista, porque tinham uma configuração contrária à normatização do SUS, que é a do generalista. O generalista atende todo mundo: criança, ouvido, nariz, exame ginecológico, exame masculino. Se não puder resolver, ele encaminha para um especialista. 

Nas campanhas eu disse que iria ver essas coisas, que iria procurar soluções. Então estamos encarando a tarefa com muita responsabilidade, mas essa reconstrução se dá de forma seletiva, porque desconstruir é fácil, construir é que é difícil. Como quando fizemos o Bairro Novo; quando recapeamos ruas municipais e o centro urbano, e tentamos ordenar os estacionamentos; como fizemos a operação devolvendo o espaço público no Centro de Piabetá. Agora vamos reformar a rodoviária, mudamos a feira que estava lá e vamos fazer na Rua Brasil o que foi feito na Dr. Siqueira, porque as pessoas vieram aqui, viram a Dr. Siqueira e pediram: “- Prefeito faz isso aqui, nós estamos precisando disso em Piabetá”. Também tiramos camelôs das calçadas de Piabetá, sem crise, sem briga, sem nada, na conversa, dando opção. Isso tudo colocou Magé num momento diferenciado dentro de toda nossa região. 

Ainda enfrentamos muitas reclamações, que vão continuar, das muitas ruas sem pavimentação e precisando de drenagem. E ainda deverão passar muitos prefeitos por Magé antes que todas as ruas sejam beneficiadas com drenagem e pavimentação. 

Mas já evoluímos bastante. Colocamos mais de trinta quilômetros de manilhas em várias ruas, como no Centro de Piabetá. Estamos fazendo uma drenagem importante por trás da Câmara, onde as ruas todas inundavam. Estamos colocando manilhas, direcionando para o Canal, para solucionar aquele alagamento. Fizemos uma obra imediata para tirar as enchentes no BNH, no Centro de Magé. E muitas outras coisas, porque é obra contínua. Estamos reiniciando uma na Barbuda, que é de pavimentação.

Queria que o senhor falasse sobre a CRT, que é um assunto que interessa a muita gente.


A CRT é uma briga minha também, que vem desde o primeiro momento. As pessoas nas campanhas me pediam que o corte (o caminho alternativo ao pedágio) fosse melhorado, pois era muito esburacado. A gente asfaltou, aquilo melhorou, o que possibilita a alguns mageenses sair dessa penalidade, dessa ilegalidade, dessa irresponsabilidade, esse crime que se faz contra os habitantes de Magé. 


Eu só entendo a CRT como algo da mesma natureza do Petrolão no Brasil. Eu não posso imaginar, não posso aceitar que uma estrada de 140 km tenha apenas um pedágio nos dez primeiros quilômetros, e fora do lugar, para cobrar pedágio pelos 140 km. Porque essa penalidade é só do povo de Magé? Porque que não se coloca três ou quatro praças e se divide esse valor?. A CRT dava asfalto para Magé, eu cortei.  Eu não recebo mais nada, porque não vou me submeter a nenhum acordo que prejudique o povo de Magé. Só tenho um pedido para eles: libera o pedágio!  


Eu estou entrando na Justiça, estou entrando no Superior Tribunal, vai acabar resultando em passeata, vamos acabar interrompendo o trânsito mesmo, porque é um crime que se faz contra o povo mageense. A Procuradoria está entrando com uma ação, por determinação do prefeito. Tem uma lei do Estado, que foi aprovada e publicada na ALERJ, e poucas pessoas sabem disso, que obriga que as praças de pedágio no Estado do Rio sejam colocadas nas fronteiras dos municípios - e a nossa está dentro de Magé. E, por incrível que pareça, o absurdo: o imposto cobrado dentro da nossa terra - por que é o mageense que paga o pedágio ali - é dividido pelo total de quilômetros! Então Teresópolis recebe por trinta e oito quilômetros; Sapucaia tem trinta e poucos quilômetros; Magé, vinte e dois! Os serviços são feitos - que serviços? 

Então não tem negociação com eles, eu já falei isso tudo com eles todos. Cansei de falar e fico chateado ainda quando eles usam da Justiça para evitar manifestação. Nesse país a manifestação é livre, é um direito quando a gente se sente ameaçado. Quando a gente se sente agredido pelas irregularidades tem que fazer alguma coisa, então estou entrando na Justiça, mas eu acho que em pouco tempo nós vamos ter que usar de outro mecanismo. Porque se você observar, até pelo Procon, Direito do Consumidor, nós estamos sendo discriminados. Magé tem sua oferta de emprego diminuída porque ninguém quer vir para Magé e pagar pedágio para a CRT. 

Então estou muito determinado, até o meu último dia aqui em Magé. Eu penso que a gente vai encontrar um juiz que tem o mesmo pensamento do Sergio Moro, para pegar esse negócio e passar a limpo. Eu acho que está na hora de aparecer aqui em Magé um juiz com determinação, porque eu fico temendo muito. Os escritórios que defendem essas empresas têm um poder muito grande a nível de Brasília, e eu levanto hoje uma suspeita que a irregularidade salta os olhos de qualquer pessoa que passa na rodovia, eu estou indignado com isso.


O senhor tem alguma coisa para falar sobre o turismo?

É difícil ter turismo, pagando esse pedágio. Mas nos últimos anos Magé tem sido uma referência de turismo muito grande para municípios da Baixada. Hoje nós temos uma visitação muito grande nas nossas cachoeiras e na praia de Mauá. É impressionante a quantidade de pessoas que vem aqui no verão. Até o carnaval em Mauá é referência na Baixada.

A gente precisa do carnaval de Magé também


Eu não posso obrigar as Escolas a desfilarem, nem dar dinheiro, quando elas estão irregulares. Eu tenho que cumprir lei. Eu já pedi para que se regularizem, se associem, para eu poder ajudar o carnaval de forma legal, mas eu não posso arrumar quarenta, cinqüenta, sessenta mil e dar para uma agremiação que está irregular. Eu sou um dos adeptos do carnaval de Magé, sou apaixonado pelo carnaval, mas não posso correr risco de ficar na ilegalidade. Então digo para você: é só as instituições carnavalescas se organizarem, tirarem a documentação exigida por lei, para que nós possamos ajudar. Enquanto não fizerem isso eu tenho que fazer carnaval de rua. 

Tem escola de samba que fica em prédio da Prefeitura, em locais que são da Prefeitura, utilizando para outras finalidades que não carnaval. Chega a época: “- Ah, me dá ai cem mil reais que eu faço”. Eu não posso. “-Ah prefeito, o senhor está acabando com o carnaval!” Não ! já não tinha o carnaval havia muitos anos. Eu quero voltar com o carnaval, mas eu não posso, já botei procuradores, advogados, tudo à disposição para que eles se organizem legalmente, para que eu retorne o carnaval, mas tem que ser na legalidade.

Mas a população não sabe disso e pensa que foi o prefeito que acabou.

Eu posso disponibilizar para você fazer o convite para eles. O que eles precisam? De advogado, de - vamos supor - ver a dívida, parcelar dívida? Eu estou disposto a tudo. Isso que eu estou te falando eu já falei para todos eles. Mas eu estou reativando e, veja bem, política e carnaval não combinam. Eu nunca me utilizei disso e nunca achei que desse certo. O que pode ser feito é a agremiação carnavalesca, fazer o seus eventos durante determinada época do ano para também conseguir valores para fazer peso. Então eu sozinho não posso bancar escola de samba, e tem que ser na legalidade.

Voltando a falar do turismo, Santo Aleixo e Cachoeirinha têm as cachoeiras que são exploradas e nós instituímos, já por dois anos seguidos, uma operação que chamamos de Operação Verão, para proteger as nossas cachoeiras e tentar limitar o número de pessoas que frequentam, porque cada lugar tem um limite. Nós estamos recebendo um número tão grande, que se não limitarmos vai ser depredatório, e a gente já está enfrentando isso. Estamos fazendo eventos em Mauá, também, porque Mauá fica com a movimentação muito grande. Nós imaginamos que no final de semana recebemos quase que uma cidade de Teresópolis de turismo, mas o nosso turista tem o perfil das cidades do nosso entorno da Baixada Fluminense


No próximo número publicaremos a continuação da entrevista com o Sr. Prefeito, onde os assuntos abordados foram: Barbuda, repressão, data base, as queixas recorrentes da população, a diferença entre gestão pública e privada e a mensagem pelos 450 anos do município.