JORNAL MILENIO VIP

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Entrevista com o prefeito Nestor Vidal - Parte 2

Publicado na edição 151 de Julho de 2015

Esta é outra coisa que o povo questiona muito, sobre a Barbuda e as obras do PAC iniciadas lá.

Foi um trabalho muito grande da minha equipe para reconduzir essa obra que estava em atraso - e, para pontuar, as casinhas da Barbuda que foram feitas numa área de APA (Área de Proteção Ambiental) - e que teve a participação da Caixa Econômica. Todo mundo participou, essas casas não chegaram nem a ser entregues. Quando eu cheguei aqui elas já estavam invadidas e quando nós entramos, tentando negociar com a Caixa e com a construtora para deixar aqueles moradores lá, porque eram moradores de baixa renda, nós só tivemos o cuidado de tirar algumas pessoas que não eram de Magé. 

Mas isto também envolveria uma obra em que o município teria que entrar com aproximadamente cinco milhões e a Caixa com oito milhões, para se fazer um acesso até as casinhas. Dessa forma, contemplaria parte de uma obra da Barbuda. Este convênio se perdeu, o dinheiro estava para ser devolvido, e nós entramos em contato com a Caixa e conseguimos recuperar. 

Fizemos a licitação e a firma começou a fazer a obra, reformou as casinhas . Até que verificaram que o valor da obra, teria que ter um acréscimo, porque levou muito tempo. O que eu recusei, de imediato, porque acho injusto ser penalizado por um atraso pelo qual não fui responsável. Isso levou um tempo para negociar, porque no momento da negociação eu falei que talvez aportasse um dinheiro a mais, desde que a Caixa entrasse com a parte dela - já que a parte da caixa era de 70% do que faltava e a nossa 30%. 

Resolvemos isso recentemente e agora a firma vai voltar para concluir parte da obra, que vai resolver apenas parte dos problemas da Barbuda.  Vão ficar ainda, talvez, 80% para nós procurarmos uma solução. Vai haver uma reta com drenagem e pavimentação e a Prefeitura vai ter que procurar recursos para fazer as transversais.

 Neste exato momento estamos com uma equipe de mais de 50 homens fazendo a limpeza dos canais na Barbuda, melhorando as ruas, para que possamos tentar colocar o projeto todo no Bairro Novo 2 do Governo do Estado. Porque a gente precisa ter noção que saneamento é obrigação do Estado, é obrigação da CEDAE. Eles recebem para isso. Mas a Prefeitura vai iniciar algumas obras lá, dentro dos seus recursos, tão logo termine essa obra da Caixa. Penso que até meu último dia na Prefeitura, vamos ter ações na Barbuda, para melhorar esse abandono que é de décadas.

Esse manilhamento que começaram a fazer está incluído nisto?

Uma parte do manilhamento foi feita erradamente. Eu fui à população e reclamaram que, em parte da obra que essa firma iniciou a colocação de manilhas não está correta. Os engenheiros da Prefeitura verificaram que a população está certa. Para reiniciar a obra é preciso corrigir, arrancar as manilhas que colocaram de forma equivocada e refazer a rede. A meu ver as coisas ali na Barbuda não foram satisfatórias. A Barbuda depende de um cuidado muito grande, porque fica quase ao nível do mar. Com a maré cheia e uma chuva muito intensa, certamente vamos ter alguma dificuldade ali. Eu continuo achando que aquelas casas foram feitas em local inadequado, mas nós temos que tratar com a maior dignidade e dar apoio às pessoas que estão vivendo ali.

Mas quero falar da obra da CEDAE. Para você ter uma idéia, quando tomamos posse a empresa que estava fazendo a obra da CEDAE tinha fugido de Magé pelas ameaças que havia recebido do governo municipal da época. Foi um trabalho muito grande convencê-los a voltar para cá. Tivemos que relicitar a obra, o preço aumentou significativamente, mas a obra está em andamento. Eu estou insatisfeito e fiz essa declaração, com todos os prefeitos do CONLESTE, ao governador Pezão. Disse para ele que a obra já devia estar concluída e, no meu modo de entender, ela está em 50% a 60 %Então ele ligou para o presidente da CEDAE e agora, com uma pressão muito grande do governo do Estado, a primeira fase dela nos dá a esperança de que o problema no Primeiro Distrito vai ficar solucionado pela caixa d’água que vão fazer. Pelo pulmão, vamos dizer assim, de água que vai ficar lá. Nós estamos de olho e estamos cobrando. As pessoas responsabilizam o prefeito e eu acho que isso é normal, mas é bom que se diga, essa obra é uma responsabilidade do Estado, a Prefeitura só cobra.

Uma característica do seu governo foi acabar com a repressão?


Quando viemos andar nas ruas de todos os distritos para pedir voto, nós ficávamos muito tristes, porque estendíamos a mão para pessoas que conhecíamos e a pessoa corria da gente, falava assim: “- Eu não posso apertar sua mão. Vou votar no senhor, mas não posso apertar sua mão porque estão me filmando, estão fotografando”. O medo era estampado, eu me lembro que em muitas portas a gente batia, a pessoa falava, por trás da porta: “- Não posso abrir, estão me filmando”. Eu não entendia que pais é esse, que município é esse. O medo, que hoje as pessoas já esqueceram, é um bem imaterial que só quem viveu sabe. Só quem viveu a ditadura sabe, só quem viveu aquele terror, aquelas mortes acontecendo em Magé, sabe. 

Hoje estamos prestes a iniciar um processo político. Todo mundo é candidato, um critica o outro, fala muita coisa, e está tudo certo, tudo beleza. Naquela época não podia ser feito porque, se fosse descoberto, a pessoa sumia. Os crimes não foram esclarecidos, as pessoas sumiram da existência e ninguém foi para a cadeia.

 Nós tivemos um trabalho árduo para devolver a democracia, dizendo: eu não faço boca de urna, eu não uso a máquina pública para pedir voto para candidato nenhum. Quem fizer boca de urna não merece seu voto porque o preço é muito alto. E eu continuo defendendo isso. Este é um momento muito importante para Magé, porque está se aproximando o momento político, associa de um lado, associa do outro... 

A pessoa tem que entender a História de Magé. Nós passamos por momentos que deviam ser tirados da História. Mas a História não permite, o mal que foi feito está aí: os totens que retiramos de cada esquina, os nomes dos colégios que não representavam nada da gente, o nome de hospital. A pessoa tinha o nome dado ao hospital, o que o cara fez na Saúde para ter o nome dado ao hospital? O cara era miliciano e vai dar o nome a um hospital? O que é isso?

Então eu acho que começamos a colocar ordem na situação. Eu aceito as críticas contra o governo municipal, mas há muita coisa para fazer. Eu acho que eu poderia ter feito muito mais, mas acho que a falta - de qualificação, de repente - a falta de equipe, a minha determinação de mudar, a mudança do secretariado, da equipe que me acompanhou na eleição e que eu julguei não ser o melhor para Magé e tive a coragem de substituir. Isso impacta, isso diminui um pouco a gestão. 

Se eu tenho que reformar a equipe, é melhor reformar e correr o risco de errar do que permitir uma irregularidade que vai manchar meu currículo. Então, se amanhã falarem “- O Nestor errou”, eu sei que poderia ter feito mais, mas estou procurando fazer o certo, fazer o que o povo de Magé precisa. Podem me acusar, mas não há nada contra mim porque eu procuro fazer tudo dentro da lei. Há muitos prefeitos na região que infelizmente estão sob liminar, mantendo no governo manifestações na rua. 

Queiram ou não, a gente está fazendo essa gestão na Prefeitura dignamente, todos os dias. Então acho que é uma marca do prefeito, penso que a gente está deixando um legado. A Prefeitura está em condições muito diferentes daquelas que encontramos. As secretarias vão existir, vão ter funcionários públicos esperando os novos gestores, vai ter computador, vai ter papel, vai ter tudo organizado. A contabilidade arrumada, a tesouraria pagando o que tem que pagar, nós vamos ter uma máquina pública. 

O senhor presenteou os funcionários no mês de maio, dando a data base deles. Acho que o senhor precisa falar sobre isto.

Isto, para mim, era uma coisa impensável. Quando vieram me pedir, eu me surpreendi: “- Mas não tem não?” Resposta:”- Ah prefeito, tem mais de 10 anos que a gente não sabe o que é isso!” 

Tive que aprender a lidar com a questão do funcionário público. O município ainda deve muito ao funcionário público. Tenho mais de 4.000 funcionários públicos, pessoas que trabalhavam na Prefeitura, que têm dinheiro para receber da Prefeitura, e que eu não vou pagar. Não tenho condições de pagar tudo. Eu tenho pagado a alguns e vou continuar pagando, mas não posso pagar a todos. Eu acho que tudo é justo, mas não posso parar a máquina do município. Se eu parar um ano inteiro e não pagar nada só para pagar indenização, ainda vai faltar dinheiro. Então a gente tem que fazer milagre, tem que fazer a máquina funcionar e ir pagando aos poucos o que está devendo. A gente paga em torno de três milhões das dividas deste município. Eu sou o único prefeito que paga dívida, e isso porque no passado alguém falhou. A Justiça e até os mecanismos de controle foram ineficazes. Hoje, em tempo real, são eficazes e eu sou cobrado por muita coisa que no passado não tinha cobrança. O município é devedor, o prefeito deve e o que eu posso estou pagando. 

Eu gostaria de pedir ao senhor que tomasse muito cuidado, porque o Rio de Janeiro agora está vivendo um momento terrível de violência que nós aqui não temos. Então, que o senhor mantenha esse cuidado, esse legado, para que continuemos nessa paz.

Eu faço parte do consórcio dos prefeitos, o SISBAF; sou vice-presidente do Consórcio da Saúde da Baixada - o presidente é o Bournier, eu sou o vice - e faço parte do consórcio do CONLESTE, no entorno do COMPERJ, em que sou presidente da agência, eleito pelos meus pares. Nessas reuniões no Estado eu manifestei uma preocupação muito grande em relação a Magé, porque para mim é claro  que existe  uma migração das ações que estão sendo feitas na capital, na cidade do Rio  de Janeiro e têm impactado nas cidades do interior. Magé não é diferente, Magé registra essa migração também, mas o que mais me preocupa é que o contingente de policiais militares do nosso batalhão é menor do que o de anos passados, e eu estou cobrando do governador o aumento do efetivo da Policia Militar, porque o povo tem que saber que segurança publica também é uma missão do Estado, não do Município. Eu cobro do governador, porque para mim também é impactante que, ao registrar um flagrante aqui, a pessoa tem que ir com a viatura e os policiais envolvidos, para Teresópolis, ou para Caxias, para registrar, porque Magé não tem uma delegacia técnica para registro de flagrantes. Aí eu perco a viatura e o policial por uma, duas, três horas. Como meu contingente é menor, Magé fica à mercê, fica com menos policiamento efetivo. A cidade está bem monitorada porque a gente está colocando a guarda municipal, o comandante tem trabalhado muito bem aqui, fazendo milagre, e diga-se, o batalhão de Magé atende Guapimirim também. Eu fiquei muito chateado quando observei que todos os batalhões da Baixada tiveram aumento do contingente de policiais, menos o de Magé. Porque menos o de Magé? Porque Magé não tem registrado uma criminalidade tão grande assim, mas você tem acompanhado o nosso esforço, então, é mais uma preocupação. Eu faço aquilo que eu sou obrigado a fazer como representante do povo de Magé, cobrar atuação do governo do Estado mais efetiva nessa parte.

Magé vai fazer 450 anos. Eu tenho mais ou menos 50 de vivência dessa historia, tenho um material fantástico, na minha casa, de toda a História do município. Fui procurar a relação dos prefeitos da cidade na internet e tive a honra de achar na Wikipedia que a fonte da informação era de Rosinha Matuck e do Jornal Milenio Vip. E tenho muito material na minha casa, por causa da minha mãe. Olhando os jornais antigos, pude perceber que tudo é recorrente, as mesmas denúncias, as mesmas preocupações, os mesmos problemas, os mesmos erros, as mesmas súplicas do povo - há trinta, quarenta anos. Aí eu faço uma pergunta: a que se atribui isso? O povo não reage ou a culpa é dos governantes? O que é isso, porque nada evolui? Se pego o jornal de hoje ou o de trinta anos atrás, é a mesma coisa.


Eu diria para você o seguinte: primeiro tem que ser feita uma análise muito mais complexa do que esse simplismo que você está colocando. Eu vejo da seguinte forma: cada um tem o governo que elege. Nesses últimos trinta anos nós tivemos algumas perdas aqui, Porque Magé, naquela época que você está falando, não era uma cidade de desempregados não. Magé tinha um parque têxtil grande em Piabetá, em Santo Aleixo. Magé regrediu, hoje piorou muito. Aumentou o contingente de pessoas, diminuiu a oferta de empregos, não se investiu na Educação. Nós não tivemos centro de referência, por exemplo, de Medicina .O Governo Federal, não contempla Magé. A duplicação da BR 493 é impactante para gente. Por quê? Quando fizeram a ponte Rio Niterói, ela já deveria contemplar a duplicação desse trecho da BR 493, porque os caminhões não iam passar pela ponte Rio Niterói. Aí a gente escuta que o Arco Metropolitano foi inaugurado. Como assim, o Arco Metropolitano foi inaugurado se a BR 493 não foi feita? Então foi parte do Arco, eu fui no DNIT duas vezes, e já me desentendi até com o Ministro dos Transportes, porque ele sempre coloca um problema diferente, mas é falta de vontade política de fazer. A notícia que eu tenho, é que mês que vem eles retomam essa obra, e que não tem nada a ver com a questão do COMPERJ, é uma obra do Ministério do Transporte. Então essas questões foram o que fez com que as empresas não viessem para cá. Então você vê, cidades da baixada, por questões políticas e por acolhimento aos empresários, irem para Queimados, para Caxias, e nós, num erro clássico dos governantes, colocamos nosso povo para ajudar a congestionar a BR 040, a Linha Vermelha, a Linha Amarela, a Rio Teresópolis, porque nós temos que sair de Magé para trabalhar. Aquele que consegue emprego, quando na verdade o Estado deveria investir num emprego que desobstruísse nossas estradas.

Agora, quando nós aqui de Magé fazemos uma referência de assassinato, onde ninguém quer vir para cá, nem para fazer política – nas  campanhas, os deputados têm medo de vir para Magé. E por que as pessoas votam em alguém que não conhecem? Votam porque existe alguma manipulação, ou tem alguma mágica nisso? Não tem mágica. Quando se vende o voto, quando a população alega que não tem bom candidato, está todo mundo com medo. Então eu acho que nós estamos dando um passo hoje, temos uma mudança de perfil e não podemos retornar àquele medo. É importante revitalizar o que nós iniciamos. Eu penso que sou o marco para o início de uma nova etapa. A minha missão, o legado que vou deixar - e penso nisso a cada dia - é que o povo vai ter maior liberdade para escolher os seus governantes. 

Você pode admitir que Magé, quando se fala dessa história, piorou, porque a população aumentou. Há trinta anos eu pegava peixe no Canal, ali em frente ao Mageense. O Roncador, eu bebia água dele. Como você fala num Projeto Estadual de Despoluição da Baia de Guanabara quando Magé não tem saneamento básico, que é obrigação do Estado e do Governo Federal? Que hipocrisia é essa? Quando se fez a unificação do estado da Guanabara com o Estado do Rio nós perdemos muito, pegaram-se muito e o estado tem que pagar divida da capital, então é uma coisa muito complexa. 

Mais uma coisa: quais foram as contrapartidas do impacto enorme do COMPERJ para Magé? Nenhum. Então eu penso que vou iniciar uma operação: nós precisamos de bons vereadores, precisamos de bons prefeitos, de bons deputados federais e estaduais, que nos defendam, porque nós estamos num apagão político. Quando vão dividir a verba federal, tem que ter alguém lá, pedindo; quando vai depender do Estado, tem que ter alguém pedindo. Mas se nós ainda deixamos a pessoa de fora vir aqui pegar o voto e ir para fora... Hoje eu acho que Magé não tem que abaixar a cabeça para ninguém. Eu não posso admitir que Caxias venha aqui e tire os votos da gente. Não é possível Caxias querer interferir no processo político de Magé.Eu estou na expectativa da melhoria do transporte urbano até Guapimirim, com VLT, com ar condicionado. Era para ter sido em dezembro, mas eu estive agora no Estado e estão fazendo a finalização para botar nos próximos meses. Então nós vamos melhorar esse acesso do trem. E tem um pedido meu com o segmento ferroviário: a gente tenta motivar as operadoras que receberam a concessão para revitalizar o trem de Mauá a Guapimirim, para que possam botar locomotivas no trilho novamente. Tem tudo lá, é só montar. 

Veja bem, você não pode pensar em levar o trem para Petrópolis, está tudo ocupado lá.  Vai ser uma briga que eu acho que meus netos não verão. Mas hoje, para pegar um trem ou uma barca, parar em Mauá, pegar o trem ali, sair pelos trilhos que têm sete quilômetros, porque o leito está lá, o trilho está lá, até conectar na linha de trem que vem para Magé, para você fazer um trem caracterizado, saindo de repente até de  um lugar temático “A primeira estação de ferro do Brasil, Guia de Pacobaíba” e parar até onde tem os trilhos lé em Guapi, você revitaliza um passeio turístico que o Estado não tem. É barato e se explora porque vai haver pessoas com restaurante, parque temático... Há pessoas que saem da Praça XV para fazer isso e, se você revitaliza o transporte aquaviário de Mauá ate a Praça XV, você também desafoga os nossos congestionamentos. Tem um potencial, a gente tem uma proposta dessas. 

É preciso ver o potencial que Magé tem. Nós estamos num apagão político, alguém tem que chegar, bater na mesa e pedir. Eu não conseguirei, eu vou deixar essas idéias e vou ver. Estou pedindo ao governador, estou indo ao Ministério da Cultura. Como temos o projeto do Museu do Garrincha, eu tenho uma idéia muito original: que a entrada do museu, na minha ótica, seria torta, parecida com as pernas do Garrincha. me perguntam sobre o cemitério do Garrincha... Eu queria que os restos mortais do Garrincha fossem para dentro desse museu, e agora eu tenho um pedido: que fosse um museu temático, como tem o do Pelé. Agora, a gente tem que deixar bem claro: essa dívida não é do município de Magé, essa dívida é do Botafogo, é da CBF, essa dívida é da Cultura, é do Brasil. Não pode se atribuir, eu penso que as vezes essa comparação, essa megalomania da ex-prefeita é até injusta. Que ela faça as homenagens a quem ela quiser, ela tem direito de fazer. A do Garrincha, cabe à gente fazer, cabe ao povo de Magé, mas cabe muito também ao Botafogo que tem uma glória devido ao trabalho do Garrincha e a CBF. Quando eu fui pedir essas coisas, as portas não se abriram para mim e eu pergunto sempre em entrevista, cadê o Botafogo? Cadê a CBF? Eu fui lá e pedi, e ninguém quis fazer. É vergonha para nosso Estado quando nós vemos em Santos um museu maravilhoso do Pelé e não vê nada para o Garrincha aqui no nosso Estado, é uma vergonha. Só por curiosidade: foi rodado um filme sobre a vida do Pelé, desde Três Corações até ele chegar em Bauru e Santos, e foi todo feito em Citrolândia, em Magé, cidade em que nasceu Garrincha. Então, Garrincha não só cruzou pro Pelé fazer gol; Garrincha também cedeu o município para fazer a história da vida de Pelé.

O senhor teve uma trajetória de inegável sucesso como administrador da iniciativa privada na área de saúde, por muitos anos, esse certamente foi um dos fatores para o sucesso da campanha do atuala cargo na administração publica, sua experiência anterior possibilita melhores resultados em sua atividade de prefeito? Como é que são as diferença das duas?

É muito diferente. A pessoa que trabalha no setor privado não tem noção da complexidade que é trabalhar na gestão pública, de ser ordenador de despesas. Há leis que ele é obrigado a cumprir, o processo licitatório, todo o protocolo de qualquer coisa, seja na contratação ou na dispensa. Em todos, o setor público é muito mais complexo, mais difícil. 

Há as questões políticas que têm que passar. Você não pode pensar na questão da eficácia da máquina e você tem aspectos políticos que interferem e não há como negá-los, eles existem dessa forma. É preciso optar entre fazer uma obra ou outra, não há recursos para tudo. Então você acaba não fazendo o que planeja, mas as forças políticas também conspiram para que você faça de acordo com o movimento politico. A gestão pública é muito complexa. Eu falo - e até brinco - que no meu último dia de prefeito, talvez eu possa dizer: “- Eu agora estou preparado para ser prefeito.” Porque eu fico abismado com a capacitação que o gestor público tem que ter - e eu posso confessar para você que eu não tinha. Procuro a cada dia me capacitar para ser o melhor gestor, a cada dia eu tento me superar na gestão publica. Tenho aprendido muito e espero deixar uma marca digna para Magé, porque a gente fere muitos interesses - e não me refiro a interesses municipais não. São interesses estaduais e nacionais até. Para manter Magé do jeito que é eu afirmo que tenho inimigos que nenhum prefeito de Magé já teve. Mas eu tenho a minha dignidade, a minha vida, o meu passado que me defende.

O meu sucesso como gestor na área privada, eu nunca pensei que fosse me tornar politico, eu espero que a minha contribuição politica.

mas eu não respondi, a iniciativa privada que eu penso que poucas pessoas nesse país pode ter uma variação na profissão como a que eu tive, que fui de porteiro de hospital a administração geral de um hospital, depois de trinta e poucos anos fui a diretor geral, e nunca fazendo política, só atendendo as pessoas e saí dali um dia que os diretores da FESO foram reclamar comigo porque eu falei que ia ser candidato a Deputado Federal e todo mundo falou que eu estava maluco, e saí pedindo voto na rua,  e todo mundo rindo, dizendo ah não vai fazer 5.000 votos, e a população avaliou o tempo que eu passei no hospital, muitos nem sabiam que eu era candidato não, porque não tinha nem papel suficiente, eu sai avaliado por 52.000 votos, então um profissional que sai da iniciativa privada, que faz sua gestão. Que é rigoroso, que fala, que manda embora, que faz tudo, que acolhe as pessoas, que sai dali sem nada, e vai pedir voto paras pessoas e tem uma aprovação eu penso que o povo que era assistido por mim, que foi atendido por mim aprovou o meu trabalho.

E aqui em Magé hoje, e isso é importante, é a coisa mais digna para mim, é que as pessoas tenham críticas ao prefeito, e elas, muitas são injustas, mas não o Nestor, o Nestor é ainda uma pessoa inatingível, o prefeito ainda tem as críticas dele, mas o Nestor, é um cara que a gente conhece, que sabe da conduta dele, e eu acho que é isso que vai ser a minha marca nessa passagem política, que eu passei e contribuí, mas eu continuei sendo o Nestor.

“-Prefeito arruma emprego para mim.” Isso me mata, porque se eu pudesse eu empregava todo mundo, quando eu tenho que demitir alguém aqui é um momento de grande agonia para mim, mas eu não posso contratar todo mundo porque eu não tenho dinheiro para pagar, e alguns eu tenho que demitir, porque eu não vou ter dinheiro para fazer a folha de pagamento. E que se destaque, eu não atrasei um dia do pagamento de ninguém, e que não obriguei ninguém a bater palma para ninguém, por causa de política, eu mandava fazer uma circular proibindo.

Quero destacar a força e a referência que a minha esposa é para que eu faça o meu trabalho, acho que se não fosse com a Selma eu não suportava tamanha responsabilidade, então em tudo isso que eu faço, ainda bem que tem a Selma para me desinflar, me colocar no mundo, para me acalmar, porque eu acho que eu tenho muito de mageense no meu espírito, então se ela não me coloca, que eu sou prefeito, que sou gestor, eu só trabalho e vou para casa.

Gostaria que o senhor deixasse uma mensagem pelos 450 anos do município.

Eu acredito que tenho que dar um depoimento sim, porque era uma Magé antes e hoje é outra, tem outra organização que não tinha, hoje as pessoas respeitam. Hoje os carros são rebocados, porque nós estamos colocando ordem. Ainda tem muita coisa, ainda encontramos restos de obra, porque as pessoas acham que podem fazer obra e jogar o que sobra na rua, para Prefeitura recolher. Mas quem tem que recolher é o cara! Tem obra que a gente recolhe e, quando recolhemos, a pagamos pelo lixo de quem gerou.

Nós precisamos reeducar, precisamos de novas empresas, de qualificar nossos trabalhadores, até do comércio privado. Eu pretendo, através do nosso Centro de Capacitação do Servidor, qualificar atendentes, seguranças, telefonistas, um monte de profissionais de que Magé precisa, mas eu sozinho não consigo fazer isto.

Eu caminho na orla de Magé e me encanto com o Canal limpinho, com o jardim, e eu divulgo isso. Em Nova Marilia, as cabeceiras da Ponte Seca, estão todas floridas. A cabeceira daquela reta que vai para Caxias, lá no Humaitá, antes era só lixo; hoje tem calçada, tem ciclovia. As pessoas que vêm de Caxias fazem questão de falar, porque, passam ao lado de Imbariê, todo mundo nota que não ali têm o cuidado que a gente tem. A nossa cidade tem que ser bonita porque ela sempre foi bonita.