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Polícia apura imagens de PMs após morte de menino em Magé, Rio

A Polícia Civil analisa imagens feitas por moradores que mostrariam policiais recolhendo as cápsulas de bala logo após a morte do menino Matheus, de 5 anos, baleado no sábado (2), na Rua dos Operários, em Magé, Baixada Fluminense. A informação é do delegado titular da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Geniton Lages, que nesta segunda-feira (4) participa de uma perícia no local onde o menino morreu.

"Se isso ficar comprovado, os policiais serão indiciados por fraude processual. Se é grave não comunicar, quiçá desfazer o local", disse o delegado Geniton Lages.

Segundo informou, é importante esclarecer se havia confronto ou não no local. A reprodução simulada, com a presença dos dois policiais, atualmente aquartelados no Batalhão de Magé, pode ser feita ainda nesta segunda.

"O laudo necroscópico chega nesta segunda, segundo o ICCE", disse o delegado.

A Polícia Civil realiza na tarde desta segunda uma perícia complementar da DHBF para procurar provas que possam esclarcer a morto menino de Matheus Soares, de 5 anos, na comunidade da Lagoa, em Magé, na Baixada Fluminense, no fim da tarde de sábado.

Patricia e Luiz André, pais do menino e que estavam ao lado dele no momento em que ele foi atingido por um tiro, serão ouvidos pela Polícia Civil também nesta segunda. Os policiais envolvidos na operação também devem prestar depoimento na DHBF ainda nesta segunda. Haverá uma reprodução simulada do caso, ainda sem data marcada.

Parentes afirmam que PMs chegaram atirando na comunidade e atingiram o menino na cabeça. Depois da morte de Matheus, 12 ônibus foram queimados e lojas depredadas e saqueadas no município. Matheus foi enterrado no domingo (3).

Para a Polícia Civil, há contradições que precisam ser esclarecidas. Segundo o delegado Geniton Lages, a principal contradição está no fato de as testemunhas afirmarem que havia traficantes no local, mas nenhum deles estaria armado. Já os policiais militares alegam que estavam patrulhando a região quando avistaram criminosos e se iniciou uma troca de tiros.

“Segundo essas testemunhas, somente os policiais militares realizaram disparos. A perícia complementar é importante nesse sentido, para reposicionar e saber, nessas contradições, onde está a verdade real dos fatos”, disse o deelgado, afirmando que também será realizada uma reprodução simulada.

Segundo a mãe da criança, não houve confronto.

"A polícia veio atirando. Quando eu fui pegar ele, ele já caiu. Eu sai, e disseram que esses policiais foram pegar as cápsulas de bala", disse Patricia Moraes, emocionada, ao G1. 

Já a tia de Matheus disse que a criança foi baleada enquanto brincava na rua, por volta das 16h30.

"Ele estava jogando bolinha de gude quando os policiais chegaram ao local. Quando o pai dele deu por si, ele estava morto. Ele não viveu nada. A gente está abandonado", disse Milene Alves, inconformada.

Para o delegado, a reprodução simulada será importante o inquérito policial.

"É preciso, no local, reposicionar todos os personagens no momento em que se deu o disparo que atingiu Matheus”, ressaltou.

Ainda de acordo com Geniton, também está sendo apurado o fato de os policiais militares terem saído da comunidade e não terem ido diretamente à DHBF, mas para o batalhão.

Homicídio proveniente de intervenção policial é de competência da Polícia Civil e a DHBF deveria ter sido imediatamente acionada, explicou.

Cenário de destruição após protesto

Após a morte da criança, moradores da região atearam fogo em quatro ônibus na cidade e depredaram e saquearam lojas. Na manhã do domingo (3), o cenário na cidade era de destruição. Muitas lojas, residências e até a delegacia da região ficaram sem luz, já que a rede elétrica foi atingida pelas chamas. Apenas os ônibus de outros municípios chegavam até a entrada da cidade. Na região da rodoviária, nenhum ônibus circulava pela manhã.

Temendo novo protesto após o enterro da criança, no domingo à tarde, a prefeitura de Magé chegou a recomendar que a população não saísse de casa.