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Núbia é detida sob acusação de apagar dados de computadores da prefeitura de Magé

 RIO - A ex-prefeita de Magé Núbia Cozzolino (PMDB) está prestando esclarecimentos na 65ª DP (Magé) sobre o que fazia na sede da prefeitura, onde foi flagrada, na manhã desta quarta-feira, por um oficial de Justiça. Ontem, após receber denúncias de que Núbia estaria indo à sede da prefeitura, durante à noite, para apagar dos computadores dados sobre contratações fantasmas feitas durante seu mandato, o Ministério Público entrou com pedido na Justiça e conseguiu uma ordem judicial para apreender os equipamentos. Porém, quando o oficial de Justiça chegou à prefeitura para cumprir o mandado encontrou a ex-prefeita no local.

Núbia foi afastada do cargo por abuso de poder político e econômico em setembro de 2009 e cassada em 2010. Na última segunda-feira, ela já havia estado na sede da prefeitura e foi advertida pela Justiça Eleitoral. A PM foi acionada, mas chegou ao prédio depois que Núbia já tinha ido embora.

No último domingo, Nestor Vidal (PMDB) foi eleito prefeito da cidade que, desde 1982, era dominada pela família Cozzolino. A data da posse de Nestor ainda será decidida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Ao ser eleito, Nestor Vidal (PMDB) anunciou uma de suas primeiras decisões: tentar rebatizar as escolas municipais que carregam o sobrenome Cozzolino. São pelo menos sete creches e colégios que homenageiam integrantes da família da ex-prefeita e do atual prefeito, Anderson Cozzolino, irmão dela.

— Esses nomes não refletem a vontade do povo. A proposta para a mudança será encaminhada à Câmara dos Vereadores. Espero que a Câmara se alinhe com a vontade da população — ressaltou o prefeito eleito.

Nos próximos dias, ele se reunirá com o governador Sérgio Cabral para decidir a participação do estado em obras que deverão ser realizadas em Magé. Pelo menos duas delas já estão na agenda: a instalação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas na cidade e a construção de uma ponte que ligará a Praia de Mauá a Campos Elíseos, em Duque de Caxias.
Na manhã de terça-feira, Magé parou comemorar a vitória de Nestor, eleito com 68,62% dos votos. A eleição fora de época aconteceu por causa da cassação de Núbia Cozzolino (PMDB) e do vice Rozan Gomes da Silva (PSL), acusados de abuso do poder econômico e uso indevido de meios de comunicação. Uma carreata com mais de 300 carros percorreu Magé durante cinco horas. Por onde passou, o grupo foi ovacionado. Dez seguranças cuidaram da proteção do prefeito eleito e do vice, Cláudio da Pakera. Moradores batiam a mão no peito e aplaudiam. Segurando um cartaz com a frase “Obrigado por nos libertar”, uma dona de casa resumiu o sentimento dos eleitores de Nestor: — Foi o voto da revolta.

Técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) enfrem dificuldades para finalizar a inspeção extraordinária nas contas da administração de Magé. Eles não receberam da prefeitura os documentos e processos solicitados. Esta semana, o caso foi apresentado ao presidente do TCE, Jonas Lopes de Carvalho Júnior. Ele levará a questão a plenário, em data ainda a ser decidida, para discussão com os outros conselheiros.

Entre as medidas que podem ser tomadas pelo TCE estão a comunicação do caso ao Ministério Público estadual e a aplicação de multa à prefeitura.